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domingo, 24 de agosto de 2014

Memória das “Vacas Bravas”?




Nas diversas deambulações que fiz na minha vida por diferentes locais da floresta costeira gandaresa, que cobre dezenas de quilómetros quadrados na faixa litoral dos Concelhos de Mira, Cantanhede e Figueira da Foz (na parte Norte deste último); por algumas vezes me deparei com ossos de grandes dimensões, secos e de aspecto antigo. Apresento aqui uma foto do último que avistei, na zona conhecida por “Lagoa dos Patos” (localizada uns 2 km a Oeste da Caniceira, na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), em Maio de 2014, durante uma caminhada vespertina.

Creio que este osso será um vestígio das grandes manadas de gado bovino que pastaram outrora por esta área litoral da Gândara, as quais eram conhecidas pela população por “Vacas Bravas”. Elas por aqui andaram a pastar durante algumas centenas de anos, até aos inícios do século XX. Num processo antigo e tradicional de Transumância, grandes manadas de “Vacas Bravas” eram conduzidas pelos seus proprietários em direcção ao litoral da Gândara, onde pastavam durante os meses mais frios do ano, passando o período mais quente nas Serras do Interior.

Julgo que a florestação das dunas litorais da Gândara, que criou a actual mancha florestal, ocorrida nas décadas de 1920-1940, terá contribuído para o fim das grandes manadas de “Vacas Bravas” a pastarem livremente nesta área, uma vez que estas duas actividades seriam incompatíveis. Este processo de florestação foi feito para proteger os campos agrícolas e até algumas localidades da Gândara, ameaçados de serem lentamente soterrados pelo avanço das dunas de areia. Diz-se que a actual Vila de Quiaios esteve em risco de ser despovoada e abandonada, tal era a gravidade deste problema!

A população local aproveitava os dejectos secos deste gado para fertilizar os campos agrícolas em redor das aldeias. “Catadores de bosta” percorriam as dunas, com um grande cesto de vime às costas, onde iram recolhendo os dejectos catados do chão, com o auxílio de uma espécie de espeto de pau. Quando o cesto ficava cheio, o seu conteúdo eram compactado e vazado no chão, formando um monte de formato aproximadamente cónico. Depois de obtidos vários montes, ia-se a casa aparelhar a carroça, puxada por uma junta de bois e/ou vacas, para vir recolher esta preciosa carga (no contexto económico da época).
 
O meu falecido avô foi um desses catadores, durante a sua infância. Contou-me várias histórias desse tempo. Algumas envolveram cenas de discórdia e pancadaria pela posse desses preciosos “montes de bosta”. Hoje muitos não acreditarão nesta história de aspecto inverosímil, mas nesses tempos recuados, em que a pobreza grassava na Gândara, até a bosta animal se tornava preciosa.


A bone from the "Wild Cows"?

During the walks and hikes i made during my life, in the coastal forest of the region of Gândara, i have found a few big bones. The last one i saw is in the above photograph, taken in May of 2014, in one area located some 2 kilometers West of the village of Caniceira, in the (Civil) Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede.

I think that this and other big bones, are traces from the big herds of cattle (with hundreds of animals), who used to graze in this area, during centuries, until the first decades of the 20th century. Those herds of cattle were known by the local inhabitants as the "Vacas Bravas" (the "Wild Cows"). Their owners used to bring the cattle to spend the coldest months of the year in this area, returning the herds to the mountain ranges of the interior during the hottest half of the year. It was a traditional Transhumance, a seasonal movement of cattle, similar to others through the world.

The locals, they used to collect the dung of the cows, walking through the area with a big wicker basket in their backs, to use it as a organic fertilizer in the agricultural fields surrounding the villages. My deceased  grandfather did it during his childhood, and told me many stories of this era. In an era of misery, even the cow dung was stolen by some people.


The grazing of herds of cows in this area ended in the first decades of the 20th century. I think the main reason to this, was the planting of the huge pine tree forest, during the 20 and 30 decades, of the 20th century. This was done to protect the region from the advancing sandy dunes, who were threatening to bury agricultural fields and even some villages. 
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Imagem de satélite da área ocupada pela actual floresta costeira da Gândara, onde outrora pastavam as "Vacas Bravas". Esta área foi bastante afectada por fogos florestais durante as últimas três décadas, sendo o mais devastador o grande incêndio ocorrido no Verão de 1993:
Satellite image of the area of the coastal forest of Gândara (in the West area of the municipalities of Cantanhede and Mira, and North-West of the municipality of Figueira da Foz), where the "Wild Cows" grazed in the past. This forest was hit by a few big fires during the last 30 years, the very worst during the Summer of 1993.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Áreas de possível exploração de caulino:

(Actualizado em 26/06/2014:)

Num post anterior, expliquei as razões porque não concordava com a exploração em larga escala de caulino na Gândara. Agora deixo aqui um novo post que é sobretudo informativo.
Andei a pesquisar no site da Direcção-Geral de Energia e Geologia as áreas da Gândara onde foi requerida a prospecção e pesquisa de depósitos minerais de caulino e quartzo. Nos concelhos de Cantanhede, Mira e Figueira da Foz, a pesquisa apresentou-me 5 áreas, todas de grande dimensão. Converti os ficheiros PDF em imagens JPG de grande resolução, para que possam ter uma ideia das áreas pretendidas. Visualizem as imagens numa janela à parte, para que as possam analisar em pormenor.
O facto de uma das áreas pretendidas ser nas glebas florestais entre Berlengas e Cochadas, na Freguesia da Tocha, deixou-me particularmente surpreendido. Não deverá existir muito caulino naqueles solos maioritariamente arenosos, mas possivelmente existirá quartzo em abundância nas areias.

As áreas que tenho visto em discussão nas notícias, sites e redes sociais, são as que aparecem nos mapas da 2ª, 3ª e 5ª imagens. Relativamente às áreas representadas na 4ª e 6ª imagens, não sei como está a decorrer o processo.

Actualização em  26/06/2014:

Reparei hoje, por um post numa rede social, https://www.facebook.com/pages/Movimento_-Anti-Caulino-_ferreiraanova/652173718173003?ref=stream, que houve uma outra empresa que pediu a prospecção e pesquisa de caulino em três zonas da Gândara:
> Numa zona compreendida entre Caniceira, Gesteira e Cochadas.
> Zona entre os Olhos da Fervença e a Estrada Cantanhede-Mira. Muito preocupante, por ser demasiado próximo dos Olhos da Fervença!
> Área a sul de Moinhos da Gândara.

Desconheço como se encontram os processos. Mas relembro ao leitor que, somando todas as 8 áreas pedidas, se tratam de áreas que englobam várias dezenas de quilómetros quadrados!


Fonte das imagens: http://www.dgeg.pt/







26/06/2014:



domingo, 30 de março de 2014

NAO HENTUHO? Uma cruz pela Lagoa da Vela?

Há alguns meses atrás, durante uma caminhada matinal que efectuei em Novembro de 2013, dei com esta cruz de madeira original, colocada por mãos anónimas em cima de um monte de entulhos agrícolas despejados na margem Sudeste da Lagoa da Vela! (Será esse local da lagoa conhecido por Canto dos Carvalhos?)  
Sim, em pleno século XXI, ainda há algumas pessoas que vão despejar entulhos agrícolas nas Lagoas da Gândara, infelizmente! E até entulhos da construção civil já vi (e fotografei)!

NAO HENTUHO?
During a morning hike in November of 2013, i saw a wooden cross, placed by anonymous hands above a pile of agricultural waste, illegally dumped in the South area of Lagoa da Vela. (This "lagoon" is the biggest fresh water lake of the region. There are lots of pictures and informations about the Lagoa da Vela, a beautiful ecosystem, in other posts of this blog.)

The words written in the cross, "NAO HENTUHO", have misspellings. Perhaps the anonymous person wanted to write "NÃO ENTULHE" ("Do not dump agricultural waste here")?




Localização / Location:

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A pequena colónia de Corvos-marinhos da Lagoa das Braças:

Durante os meses mais frios do ano, a Lagoa das Braças costuma ser frequentada por uma pequena colónia de Corvos-marinhos de Faces Brancas (Phalacrocorax Carbo), composta por apenas algumas dezenas de indivíduos. Estas aves migratórias regressam anualmente à lagoa para invernar e reproduzir-se. Podem facilmente ser observadas a partir de uma pequena cabana de observação de aves, situada no canto oeste da lagoa (ver a última fotografia), quando estão empoleiradas nas árvores de uma pequena ilha artificial, construída na década de 90. As fotos que aqui publico foram tiradas em Janeiro de 2011.

A Lagoa das Braças (também conhecida por Lagoa das Três Braças ou Lagoa dos Três Braços), é uma lagoa de água doce de origem natural, situada na Freguesia de Quiaios e Concelho da Figueira da Foz. Ocupa uma área aproximada de 20-25 hectares, encontrando-se rodeada por florestas em quase toda a volta, com excepção da sua parte Este, onde existem vários terrenos agrícolas.
Esta Lagoa goza de um estatuto especial de protecção e conservação da natureza, desde a década de 90, que a torna num paraíso para diversas espécies animais, sobretudo ao nível da Avifauna. Sendo um local calmo e resguardado, onde várias actividades humanas se encontram presentemente proibidas (tais como a caça, a pesca, as actividades balneares, o uso de embarcações, etc...), esta Lagoa é um local muito frequentado por aves de diversas espécies. Para quem quiser aproveitar as potencialidades da Lagoa para a Observação de Aves ("Birdwatching"), existe uma cabana apropriada na sua parte Oeste, facilmente acessível a partir da estrada próxima.

Great Black Cormorants in Lagoa das Braças:
During the coldest months of every year, the Lagoa das Braças (a fresh water lake), is usually inhabited by a small colony of Great Black Cormorants (Phalacrocorax Carbo), migratory birds who return here to spend the winter, and reproduce. The colony is very small, with only a few tens of cormorants.

They can be easily seen, from a birdwatching cabin in the west corner of the lake (please see the last photo), when they are in the trees of a small island. The pictures i present were taken in January of 2011.
The "Lagoa das Braças" (also known as "Lagoa das Três Braças" or "Lagoa dos Três Braços"), is a freshwater lake of natural origin, located in the Civil Parish of Quiaios and the Municipality of Figueira da Foz. This lake has an approximate area of 20-25 hectares (about 49 to 62 acres). It's surrounded by forests almost everywhere, except on the East side, where there are agricultural lands.
This lake enjoys a special status for nature conservation, since the 90s, making it a haven for several animal species, particularly water birds.  Several human activities are currently forbidden (such as hunting, fishing, bathing, boating, etc ...). For people who like Birdwatching, there is a special hut in the West side of the lake.










 Localização / Location:

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Contra a exploração de caulino:

Uma vez que entendo que a exploração em larga escala de caulino poderá ter consequências graves de longo prazo para a Região da Gândara (está prevista em áreas dos Concelhos de Cantanhede, Mira e Figueira da Foz), ao nível do abastecimento de água, da agricultura (sobretudo nas águas dos poços e subterrâneas), da silvicultura, ambiental e paisagístico; e tendo em conta que os benefícios para as populações locais e autarquias serão reduzidos ou nulos e de curto prazo; junto este blog à campanha e petição contra esta actividade (que já assinei).
As autarquias de Mira e Cantanhede deram ambas parecer desfavorável a esta actividade, por unanimidade dos seus vereadores, que no entanto não será vinculativo nem decisivo. Os presidentes de junta das áreas previstas de exploração no Concelho de Cantanhede, contactados pela autarquia, foram unânimes na sua oposição a esta actividade.
Mais informações em:  http://cantanhede.eu/arquivo/169222

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A (ex-) Lagoa da Toiça (ou Lagoa das Toiças):

A Lagoa da Toiça (ou Lagoa das Toiças (ou ainda da Touça ou das Touças)), é uma lagoa quase desaparecida, situada perto da aldeia do Ervedal, na Freguesia de Quiaios e Concelho da Figueira da Foz. Situa-se igualmente a menos de 2 km a Sudoeste da Lagoa das Braças, da qual deverá ter feito parte num passado longínquo.

Há um século atrás terá sido uma lagoa de razoável dimensão, situada no extremo sul de uma linha de grandes Lagoas da Gândara com orientação aproximada de Norte para Sul, que inclui a Lagoa dos Armadouros (quase desaparecida), a Lagoa dos Teixoeiros, a Lagoa da Salgueira (em risco de desaparecer em poucos anos), a Lagoa da Vela, a Lagoa do Palhal (quase desaparecida), a Lagoa das Braças e claro, a Lagoa da Toiça. A menos de dois quilómetros a Sul desta lagoa, acabam as planícies arenosas características da região gandaresa e começam os terrenos acidentados rochosos da Serra da Boa Viagem, que delimitam o extremo sul da Gândara.

Esta lagoa sofreu o mesmo destino de outras lagoas da região, quase desaparecendo sob os efeitos do lento assoreamento natural e da rápida acção humana, sob a forma de aterros para obter terrenos para usos agrícolas ou florestais, até restar uma pequeno charco ou pântano, a quem possivelmente ninguém quis dar o último aterro de misericórdia para selar o seu fim.

Há poucos anos, possivelmente uma década, foi feita uma intervenção humana nesta lagoa com maquinaria pesada, tendo sido escavado e aprofundado o que ainda restava do leito original da lagoa, com a criação de uma ilhota artificial, talvez para servir de refúgio a espécies animais. Na actualidade, os campos agrícolas nas proximidades desta lagoa encontram-se quase todos abandonados ou foram plantados com espécies de árvores florestais, no seguimento do quase abandono da agricultura de que Portugal padeceu nas últimas duas décadas.

Esta lagoa não tem nenhuma estrada que conduza até lá, sendo o acesso possível por caminhos agrícolas e florestais de areia, apenas acessíveis a veículos todo-o-terreno ou a pé. Deixo aqui algumas fotos tiradas à lagoa em Outubro de 2007, Janeiro de 2010 e Janeiro de 2013, durante algumas voltas de bicicleta BTT que dei por esta zona:

The (ex-) Lagoa da Toiça, aka Lagoa das Toiças:

The Lagoa da Toiça (also known as Lagoa das Toiças), is a pond, located near the village of Ervedal (in the Civil Parish of Quiaios and Municipality of Figueira da Foz). This small pond is the remainder of what was once a big lagoon (a fresh water lake), more than a century ago.

Like other smaller lagoons of this region, the Lagoa da Toiça almost disappeared during the XX th century, because of the slow aggradation and the land reclamation made by man, to obtain terrain for agriculture or forestry. However, during the last two decades, most of the nearby agricultural terrains were abandoned and converted to forestry areas, as did happen to many other agricultural areas in Portugal, after joining the European Union.

One decade ago, this small pond had a human intervention, with heavy machinery, deepening its depth and creating a small artificial island (to be a shelter to wild animals).

I present a few pictures of this pond, taken in January of 2013, January of 2010 and October of 2007, during a few mountain bike rides:

Janeiro de 2013 / January of 2013:












Janeiro de 2010 / January of 2010:












Outubro de 2007 / October of 2007:







Localização / Location: