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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O filme "Uma Abelha na Chuva":

 
Depois de há uns meses eu ter escrito um artigo sobre o filme português "A Promessa" (clicar para o ler), hoje falo sobre uma outra incursão do Cinema Português por terras gandaresas.
"Uma Abelha na Chuva" é um filme português concluído em 1971-1972 (mas que terá começado a ser rodado alguns anos antes), realizado pelo cineasta português Fernando Lopes (clicar), com argumento baseado num romance homónimo do escritor Carlos de Oliveira (clicar), o qual teve uma forte relação com a Vila de Febres (no Concelho de Cantanhede, onde viveu parte da sua vida) e com a Região da Gândara, a qual lhe serviu de inspiração para uma grande parte da sua obra literária. Em homenagem a este escritor, o Município de Cantanhede criou um prémio literário com o seu nome.
Para quem quiser saber mais sobre este filme, poderá obter informações mais completas neste blog (clicar), na Wikipédia (clicar) ou na descrição existente nesta página do Youtube (clicar).
 
No primeiro minuto do filme são visíveis alguns planos exteriores onde aparecem alguns "Palheiros" da Praia da Tocha (antigas habitações tradicionais já quase desaparecidas), bem como um plano exterior do largo e Igreja Matriz da Tocha. Perto do fim do filme, voltam a aparecer planos exteriores destes dois locais.
Aos 56:25 do vídeo do filme, são apresentadas imagens de vários homens e mulheres anónimos, nos seus afazeres ou conversas durante uma feira ou mercado. Pelo trajar dessas pessoas, nomeadamente uma senhora idosa com o típico chapéu de gandaresa, é bem possível que essas imagens tenham sido recolhidas durante uma Feira ou Mercado Dominical da Gândara, talvez mesmo numa Feira da Tocha, embora eu não tenha a certeza do que escrevo. Talvez algum leitor mais velho ainda reconheça algumas das pessoas que figuram nas imagens.


The Film "A Bee in the Rain":

"Uma Abelha na Chuva", which can be translated to "A Bee in the Rain", is a portuguese film from 1971-1972, made by the portuguese director Fernando Lopes (click to read more), with a script based in a novel with the same name, written by Carlos de Oliveira (click to read more), a portuguese writer, who not only lived his youth in this region (in the small town of Febres), but also was inspired by the region in his writings.

Some images of the film were filmed in this region.
In the begining of the film, during the first minute, there are a few images filmed in Praia da Tocha (Tocha Beach), showing a few "Palheiros" (traditional wooden houses), and in Tocha (who in the 70's was a village and now is a small town), showing the large square and the church. Near the end of the film, there are other images filmed in these two places.

At 56:25 (see the video above), there are a few images of several anonymous men and women, from the people, dressed with traditional clothes, talking, bargaining, selling or buying things in a traditional fair / market. I think there is a possibility that these images were filmed in Tocha, but i'm not sure about that.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O filme "A Promessa" e a Praia da Tocha:


Recentemente voltei a reencontrar o filme "A Promessa" no Youtube (o primeiro vídeo em cima). Vi este filme pela primeira vez há uns 20 anos, na velha RTP 2, mas desde então não voltei a ter oportunidade de o rever, até agora.
"A Promessa" (clicar aqui ou aqui para obter mais informações), é um filme português de 1972-1973 (encontro informações com ambas as datas), realizado pelo cineasta António de Macedo (clicar). Tem como actores principais Guida Maria e Sinde Filipe, dois actores relativamente bem conhecidos pela generalidade do público português, sobretudo pela sua presença frequente em telenovelas e séries exibidas pelos canais nacionais de televisão, embora também tenham longas carreiras no teatro e no cinema.

E qual o motivo porque apresento este filme neste blog? 

Resolvi apresentar este filme neste blog porque ele constitui um documento muito importante sobre a história da Praia da Tocha (na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), localidade também conhecida pela antiga designação de Palheiros da Tocha, pela qual ainda é denominada em muitos mapas.

Muitas das cenas exteriores deste filme de 1972-1973 (embora não todas), foram rodadas na Praia da Tocha, tendo algumas delas tido como cenário os Palheiros, antigas habitações tradicionais de madeira que durante muito tempo constituíram a quase totalidade das habitações desta localidade (clicar aqui para ler um artigo do blog dedicado aos antigos palheiros da Praia da Tocha, ou aqui, para ler um outro artigo dedicado aos actuais palheiros), até começarem a desaparecer durante as décadas de 70, 80 e princípios dos anos 90, substituídos por habitações modernas. No filme podemos ver em pormenor o aspectos exterior de dezenas destas habitações tradicionais entretanto desaparecidas, algumas das quais nunca foram captadas em fotografia para a posteridade.

Neste filme participaram muitos habitantes locais, como figurantes, embora os seus nomes não figurem na reduzida ficha técnica do filme, como era normal naquele tempo. Contudo, em abono da verdade, há que referir que a ficha técnica inclui uma referência à população local. 

Já ouvi falar no caso específico de alguns desses figurantes, neste caso algumas senhoras idosas das Berlengas (nome de uma localidade desta freguesia). Penso que também terão participado algumas pessoas da região em papéis secundários, pessoas essas com alguma experiência em teatro amador, embora eu não tenha a certeza disso. 
O filme também teve uma cena interior filmada na Igreja Matriz da Tocha, que aparece igualmente num curto plano exterior que a antecede. A maior parte das cenas de interiores do filme foram rodadas num estúdio, em Lisboa.

Apresento também um segundo vídeo encontrado no Youtube, de uma entrevista ao realizador do filme, António de Macedo, efectuada pela Bairrada TV em 2014. Nesta entrevista o realizador aborda a sua carreira cinematográfica e fala em especial deste filme, de como nasceu o projecto, da escolha dos locais onde filmou, de várias histórias passadas durante a rodagem do filme, das observações curiosas que fez da cultura e dos costumes dos habitantes locais e da forma como o filme foi recebido no conceituado Festival de Cannes. Apesar da idade avançada, o realizador apresenta uma lucidez, memória e capacidade de comunicação extraordinários.

Se algum leitor conhecer algumas histórias interessantes relacionadas com a rodagem deste filme, por ter assistido a ela na época ou por histórias que ouviu contar de pessoas mais idosas, peço-lhe que utilize a caixa dos comentários para partilhar connosco o que sabe acerca dele.

The film "A Promessa" (The Vows) and Praia da Tocha:

Recently i found the portuguese film "A Promessa" (The Vows) on Youtube (see the first video). I saw this filme some twenty years ago, in RTP 2, a portuguese televison channel dedicated to cultural subjects, but not since then.

"A Promessa" is a portuguese film made in 1972-1973 (click here to know more about it (or, in alternative, click here)), by the film director António de Macedo (click to know more about him).

I chose to present this film because it is an important document about the history of Praia da Tocha (Tocha Beach), also known as Palheiros da Tocha, a coastal village near the sea, located in the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede.

Most outside scenes of this film were filmed in Praia da Tocha, around 1972-1973, showing the sea, the dunes, the forest and, the most important, the "Palheiros", traditional wooden houses, very small in size, who were typical of this village. I said "were typical", because most of the Palheiros disappeared during the 70s, 80s and early 90s, being replaced by modern houses.


Many local inhabitants participated in the film, as movie extras. I think that a few other inhabitants of this region, with some experience in amateur theater, appeared in a few supporting or secondary roles, but i'm not sure about it.

If you want to know more about the "Palheiros", read this two articles of this blog:
- The  “Palheiros” of Tocha Beach (click):
- The "Palheiros" and traditional houses of Tocha Beach (click):
 
The second video is an interview to the film director António de Macedo (made by Bairrada TV, an internet TV channel from the region), about his career and this movie, but infortunately it is only available in portuguese.


Praia da Tocha / Palheiros da Tocha:

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Um Esquilo-vermelho:

Durante a longa caminhada que fiz em Abril de 2016 (já referida nos dois artigos anteriores), andei por aquela que será provavelmente a área mais deserta da região em termos humanos, onde não existe uma única casa habitada num raio de vários quilómetros e onde é possível andar várias horas seguidas a caminhar sem ver outra pessoa.

E ao percorrer um caminho florestal de areia solta, numa zona localizada aproximadamente a uns 5 quilómetros a Sul da Praia da Tocha e a uns 500 metros a Este do mar, apanhei um pequeno susto. Um bicho desconhecido que se encontrava no chão da floresta, a uns dois metros de mim, sem que eu o tivesse visto, de repente começou a correr, fazendo barulho nos arbustos e folhas secas do solo. Inicialmente, durante umas fracções de segundo, pensei que fosse um coelho ou lebre, mas para minha surpresa o tal animal trepou por um pinheiro acima.

Aí compreendi que se tratava de um esquilo, mas continuei admirado, porque pensava que não existiam esquilos na Gândara. E este foi o primeiro que vi ao vivo na minha vida. Tirei algumas fotos que aqui publico, de baixíssima qualidade, pois apenas trazia comigo uma máquina fotográfica antiga e quase sem zoom.

À noite, já em casa, fui pesquisar um pouco sobre este animal. Concluí que se tratava de um Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), uma espécie que estará de regresso a Portugal (e à Gândara), após séculos de ausência.

O Esquilo-vermelho foi outrora uma espécie bastante comum em Portugal, mas desapareceu completamente do nosso país por volta do século XVI. Uma das causas apontadas para esse desaparecimento foi a nossa Epopeia dos Descobrimentos, em que muitas florestas foram deitadas abaixo para obter madeiras para a construção naval das Caravelas, Naus, Galeões ou Carracas com que os nossos antepassados percorreram os mares do globo, privando assim a espécie dos seus habitats.

Contudo, por volta dos anos 80-90 do século XX, o Esquilo-vermelho começou a repovoar o Norte de Portugal, deslocando-se a partir da vizinha região da Galiza, em Espanha. Desde então tem avançado lentamente para Sul, estando actualmente identificado na zona do rio Tejo. Esta espécie terá assim chegado à Gândara há poucos anos.

Esta espécie está a ser estudada por uma bióloga, que mantém uma página no Facebook dedicada ao Esquilo-vermelho em Portugal, onde o leitor poderá comunicar as suas observações deste animal (tal como eu fiz), obter mais informações ou ver algumas fotos e vídeos de belo efeito:

Para quem quiser saber mais, poderá consultar estes links:

A Red Squirrel:

As i said before, in the last two posts, i made a long hike in April of 2016, in the coastal forest and also in the desert beaches of this region. This is the most isolated area of this region, without a single inhabited house in a radius of several kilometers. In this area, it is possible to walk a few hours without seeing other human being.

During this hike, i was walking in a sandy trail when something scared me during a second. For my surprise, some animal who was near me (but unseen by me), started to run. First i thought is was a rabbit. But the animal climbed to a pinetree.

Then i realized it was a squirrel. This was the first squirrel i saw in the nature. I took a few bad pictures, as i only had with me an old camera,  without zoom.

At night, at home, i searched the web about this animal. It was a red squirrel (Sciurus vulgaris). This animal was very common in Portugal a few centuries ago, but became extinct during the XVI th century. One of the reasons appointed to this extinction was the Portuguese Age of Discoveries, when most forests in the country were cut to get wood for naval construction.

But, during the last two or three decades, the red squirrel started to slowly recolonise Portugal, traveling north to south, from the region of Galicia, in Spain. This species must have arrived to this region only a few years ago. And this was the first time i saw one, to my surprise!





Localização / Location:

sábado, 30 de julho de 2016

Pote de Plástico de Pesca ao Polvo:




De todo o lixo flutuante que o Oceano Atlântico costuma depositar nas praias da Gândara, este tipo de objectos deverá ser um dos mais numerosos, a par das garrafas ou das bóias. Existem seguramente muitos milhares destes objectos ao longo dos cerca de 35 a 40 km da costa gandaresa. E poderiam já ser dezenas de milhares, se não fossem as limpezas periódicas que costumam ser feitas nas praias.

Trata-se de um pote de plástico para pesca ao polvo. Neste tipo de pesca, estes potes, com um peso num dos seus lados, para afundarem (peso geralmente de cimento, que já não existe neste pote, o que lhe permitiu flutuar), são presos a cordas e colocados em grupos no fundo do mar durante algumas horas, em águas costeiras pouco profundas. Estes potes substituíram nas últimas décadas os tradicionais potes cerâmicos de argila que foram usados na pesca ao polvo durante séculos.

Este tipo de pesca só é possível devido ao comportamento invulgar do polvo, que acaba por ser a sua perdição. Ele entra num nestes potes, que escolhe como nova casa temporária, tal como o faz em buracos nas rochas e outros objectos submersos com orifícios. Quando estes potes são recolhidos pelos pescadores nos seus barcos, puxando as cordas que os prendem, o polvo, em vez de fugir do pote ao sentir este a movimentar-se, ainda se recolhe mais para o fundo do buraco, onde se agarra com toda a sua força.

De onde vêm estes potes de plástico? É difícil saber, se não tiverem indicação do fabricante. Tanto podem ter vindo de outro ponto da Costa Portuguesa, como das Rias da Galiza, como até da costa atlântica do Norte de África ou mesmo das Caraíbas. As correntes marítimas no Atlântico Norte seguem um padrão aproximadamente circular, (o leitor pode pesquisar na internet por "North Atlantic Gyre"). Estas correntes marítimas podem concentrar o lixo flutuante no meio do oceano (pesquisar por "North Atlantic Garbage Patch"), mas também o podem depositar nas praias, sobretudo durante as tempestades de Inverno.

As fotos que publico foram tiradas uns 4 km a Sul da Praia da Tocha, numa caminhada que dei em Abril de 2016, já referida no post anterior.

Para quem se safar com o Inglês, deixo umas sugestões de leitura:

Plastic Pot for Octopus Fishing:

Of all the floating debris that the Atlantic Ocean throws in the 35 to 40 kilometers of the coast of Gândara, this type of objects is one of the most numerous, with bottles (of plastic or glass) and buoys from fishing nets. There are many thousands of these objects, but without the periodical beach cleanings, they could be tens of thousands.

This is a plastic pot for octupus fishing, one of the thousands i saw over the years. Where it come from? Without manufacturer marks in the object, it is almost impossible to know. Perhaps it came from other place of the portuguese coast, perhaps from Galicia (in Spain), perhaps from the Atlantic Coast of North Africa, perhaps from the Caribbean Islands...? The oceanic currents of the North Atlantic have a circle pattern (you can search for "North Atlantic Gyre"), and, perhaps, some sea winter storm have made this object to escape from the "North Atlantic Garbage Patch"?

These photos were taken in a deserted beach,  some four kilometers south of Praia da Tocha (Tocha Beach), in April of 2016, during the same hike that i mentioned in the last post.

Suggested readings:

terça-feira, 5 de abril de 2016

US Coast Guard!





Hoje deixo aqui um apontamento curioso sobre um grande objecto de plástico (possivelmente parte de uma bóia), que outrora terá pertencido à Guarda Costeira dos Estados Unidos da América, mas que as correntes marítimas circulares do Atlântico Norte depositaram numa praia deserta da Gândara.

As fotos que aqui publico foram tiradas no último Sábado (em Abril de 2016), durante uma longa caminhada, numa zona de costa deserta situada aproximadamente a uns 5 km a Sul da Praia da Tocha, mas cuja área pertence à Freguesia do Bom Sucesso e ao Concelho da Figueira da Foz. Na última foto, tirada em direcção  ao Sul, é possível avistar ao longe os contornos da Serra da Boa Viagem e do Cabo Mondego.

US Coast Guard!

Today i present a few curious photos, about an odd big object, made in plastic (perhaps a part of a buoy), who once belonged to the United States Coast Guard. This object was deposited, by the sea and ocean currents, in a desert beach of Gândara, in Portugal.

The photos were taken in an area of desert beach, located some 5 kilometers south of Praia da Tocha ("Tocha Beach", a.k.a. "Palheiros da Tocha"), in the first Saturday of April of 2016, during a long walk. However, this area belongs to the Civil Parish of Bom Sucesso and Municipality of Figueira da Foz.


Localização / Location:

sábado, 5 de março de 2016

Arte Xávega IV-a) - A Arte Xávega no Presente - Praia da Tocha

Apresento um conjunto de fotos tiradas na Praia da Tocha (localidade também conhecida por Palheiros da Tocha), numa manhã de Julho de 2012, que retratam como funciona a Arte Xávega nos dias de hoje. Neste caso particular retratam a faina da "Companha" de pescadores do barco "Pouca Sorte", uma embarcação bastante veterana, com já algumas décadas de pesca na Praia da Tocha. Não sei referir quando este barco foi construído, mas já o conheço em actividade há quase 30 anos.
Não fui suficientemente madrugador para chegar a tempo de fotografar a entrada do barco no mar, mas no fim coloco aqui alguns vídeos, retirados do Youtube, que mostram esse processo.
Today i present a set of photographs taken in "Praia da Tocha" ("Tocha Beach", coastal village also known as Palheiros da Tocha), during an early morning of July of 2012. The photos show the group of fishermen of the (veteran) fishing boat "Pouca Sorte" (means literally "little luck", but must be translated in the meaning of "misfortune", "lack of luck" or "bad luck"). I don't know the story behind the name of this boat, but as i said before, it's a veteran boat, with nearly 30 years of fishing in her wooden hull. This traditional type of fishing is kown as Arte Xávega.

I did not arrived in time to photograph the boat entering the sea, but in the end there are a few videos, taken from the Youtube, where the reader can see this process.













































Alguns vídeos (retirados do Youtube):
A few videos (taken from the Youtube):



Localização / Location: