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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Arte Xávega III - Evolução a partir dos anos 60, até à atualidade:

A Arte Xávega tradicional era uma actividade que necessitava de bastante mão-de-obra, em que cada "Companha" de pescadores costumava ter várias dezenas de pessoas a trabalhar.
Contudo, nos finais da década de 60 e princípios da década de 70, a Arte Xávega sofreu uma carência de mão-de-obra. Sendo uma actividade de rendimentos baixos, incertos e sazonais, perdeu muitos pescadores que nesta época optaram pela Emigração ou por procurar trabalho em outras ocupações profissionais mais bem remuneradas e estáveis que foram surgindo no país.
Paralelamente, nesta altura também surgiram no mercado motores de popa (ou motores fora de borda) a preços acessíveis.

Estes dois factores conjugados (a falta de mão-de-obra e o surgimento no mercado de motores fora de borda a preços acessíveis), conduziram a uma primeira revolução na Arte Xávega tradicional. Os novos barcos construidos a partir desta altura, adaptados para serem propulsionados a motor, diminuíram bastante de tamanho (uma vez que já não necessitavam de acomodar dezenas de remadores) e passaram a ir ao mar com tripulações reduzidas de 3 a 6 homens. Muitos barcos ainda conservaram um par de remos, para serem usados em caso de avaria do motor e para impulsionar os barcos durante os primeiros metros de entrada no mar, até a embarcação atingir uma profundidade suficiente para utilizar a hélice sem esta tocar no fundo de areia e pedras.

A Arte Xávega manteve-se assim durante aproximadamente 20-25 anos, até que em meados da década de 90 passa por uma segunda revolução, assente na mecanização. Foram introduzidos tratores especialmente modificados que permitiram libertar os homens e as juntas de bois/vacas (estas últimas desapareceram deste tipo de pesca) de grande parte do esforço físico que ainda faziam. Estes tratores modificados passaram a:
- Puxar as redes, através de cabrestantes/guinchos/molinetes (não sei a terminologia correta) montados na sua parte traseira.
- Empurrar os barcos para o mar, através de um braço articulado instalado à frente. Isto fez com que os barcos já não precisassem de utilizar os remos durante os primeiros metros da entrada no mar.
- Puxar os barcos do mar para a praia.
- Rebocar atrelados com diversas cargas.

Algum barcos foram dotados de rodas de automóvel para facilitar a sua deslocação na praia, quando empurrados ou puxados pelos tratores. Vários barcos deixaram mesmo de ter remos, enquanto outros ainda os conservam para utilizar em caso de avaria do motor ou por tradição.

Contudo, este período também trouxe novas adversidades à Arte Xávega, ao nível da Burocracia e Legislação Estatal, que por vezes não levam em conta as especificidades deste tipo de pesca tradicional. As regras rígidas do Estado, apesar de terem boas intenções como a conservação dos recursos marinhos ou a segurança alimentar, complicam bastante a vida aos pescadores que ainda resistem.

Qual será a próxima revolução da Arte Xávega, se sobreviver por mais algumas décadas? Talvez a inclusão de dispositivos eletrónicos? Talvez nos materiais? Já foram construídos barcos em fibra de vidro e alumínio (resistente à corrosão), substituindo a tradicional madeira e o ferro. Pelo menos um destes barcos já pesca na Praia de Mira há alguns anos!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Arte Xávega II - À Moda Antiga.

A Arte Xávega tradicional praticada nos tempos antigos, até às décadas de 60 e 70 do século XX, apresentava algumas diferenças em relação à que actualmente ainda se pratica nas praias de Mira ou da Tocha, no Litoral Gandarez, bem como em alguns outros pontos da costa portuguesa onde ainda sobrevive. É essa antiga Arte Xávega que vou tentar apresentar ao leitor de forma resumida.

Nesses tempos remotos, os barcos eram bastante maiores do que agora (com o dobro, o triplo ou até mesmo o quádruplo do tamanho), para acomodarem tripulações numerosas de 15 a 50 homens durante as idas ao mar, sendo que a maior parte deles eram remadores que manuseavam os pesados remos da embarcação. Cada barco tinha um ou dois pares de grandes remos, que podiam necessitar de 4 a 10 remadores cada.

Para puxar ou empurrar estes pesados barcos do/para o mar, usavam-se carris móveis improvisados de madeira e troncos, sobre os quais as embarcações eram roladas na praia.

Se no mar o esforço braçal físico exigido aos pescadores era hercúleo, as tarefas pesadas a efectuar no areal da praia também não ficavam atrás. Por isso, em muitas localidades costeiras, as "Companhas" de pescadores passaram a usar várias juntas de bois/vacas para efectuar os trabalhos mais pesados em terra, como puxar as redes e colocar/recolher o barco no/do mar. Assim aconteceu na Praia de Mira (ou Palheiros de Mira), onde estas juntas de bois/vacas se tornaram bastante comuns.

Contudo, na Praia da Tocha (ou Palheiros da Tocha) não se adoptou o uso de juntas de bois/vacas nas tarefas da Arte Xávega, embora as carroças puxadas por gado bovino fossem utilizadas no transporte de materiais entre a praia e as localidades mais próximas. Quais as principais razões para isto? Confesso que não sei!

Mas penso que poderá ter a ver com razões de ordem logística. A Praia da Tocha dos tempos antigos era um lugar bastante isolado e de difícil acesso por caminhos arenosos no meio das dunas, que ficava a vários quilómetros de distância dos campos agrícolas e pastagens razoáveis mais próximas. Neste contexto, manter e alimentar em permanência várias juntas de bois/vacas na Praia da Tocha seria bastante difícil em termos logísticos. Ao contrário, na Praia de Mira, existiam campos agrícolas a poucas centenas de metros do areal, onde se podiam pastar bois e vacas ou cultivar plantas forrageiras.

Voltando à Praia da Tocha, e considerando o elevado esforço físico necessário para efectuar as tarefas da Arte Xávega, resultava que muitas vezes o número de homens da "Companha" era insuficiente para o trabalho necessário.

Por isso desenvolveu-se um sistema de "quinhão" na Praia da Tocha, em que qualquer "não-pescador" interessado em ajudar a puxar as redes (e outras tarefas), podia dar o seu nome (que era registado num papel), trabalhava juntamente com os pescadores e no fim recebia um pequeno "quinhão" variável de peixe, que dependia da quantidade pescada nessa ida ao mar.

Devido à utilidade do "quinhão" de peixe ou por simples curiosidade e vontade em participar, muitos eram os "não-pescadores" que colaboravam na Arte Xávega praticada na Praia da Tocha, fossem eles habitantes das aldeias mais próximas, amigos dos pescadores, forasteiros de passagem, curiosos, veraneantes ou turistas.

Deixo aqui alguns vídeos antigos retirados do Youtube, filmados em película nos velhos tempos do cinema a preto e branco, que nos dão um retrato fiel de como era a Arte Xávega à moda antiga:

Onde os Bois Lavram o Mar. Filme incompleto, filmado em 1959 na Praia de Mira (no Concelho de Mira).



Mudar de Vida. Filme português de 1966, realizado pelo cineasta português Paulo Rocha (1935-2012) (Clicar!). As cenas do filme que decorrem entre os minutos 34 e 41 da película, filmadas em 1966 na Praia do Furadouro (no Concelho de Ovar), dão um retrato bastante realista de como era a Arte Xávega nesta época.


Fishy Business In Portugal. Curta-metragem de actualidades cinematográficas, filmada em 1935 em Portugal.



Mais alguns vídeos retirados do Youtube:

Reconstituição parcial da Arte Xávega antiga na Praia da Tocha (Reportagem SIC):

Reconstituição em Espinho:


Reconstituição na Praia da Torreira (no Concelho da Murtosa):



Algumas fotografias dos painéis de azulejos existentes na Capela da Praia da Tocha (tiradas em Julho de 2007), que retratam cenas da antiga Arte Xávega que se praticava nesta localidade. Estes azulejos, baseados em fotografias antigas, foram pintados pelo Sr. Jorge Guerra, artista especializado neste tipo de trabalhos.
A primeira fotografia mostra o transporte de um barco de pesca recém-construído para a Praia da Tocha. Vários dos barcos que aí se utilizaram até meados do século XX, foram construídos num estaleiro artesanal que se situava na parte Noroeste do Largo da Tocha, na zona situada entre a Igreja e a Casa Paroquial.







 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Arte Xávega I - O que é a Arte Xávega?









I - O que é a Arte Xávega?


A Arte Xávega é uma técnica tradicional de pesca costeira de arrasto, por cerco, muito antiga, cuja origem, secular ou milenar, se perde na noite dos tempos. Actualmente encontra-se em risco de desaparecimento, numa fase de contínuo declínio que vem desde a década de 60.

Nos dias de hoje, esta arte piscatória ainda é praticada por algumas centenas de pescadores, em algumas localidades costeiras de Portugal, incluindo a Praia de Mira e a Praia da Tocha (ambas na Região da Gândara). Também ainda é praticada na Praia da Vagueira, no Concelho de Vagos, mas que não incluo na Gândara por já estar situada na Região Tradicional da(s) Gafanha(s). Também chegou a ser praticada no passado na Praia de Quiaios, no Concelho da Figueira da Foz.

Hoje tem um carácter sobretudo sazonal, sendo praticada essencialmente nos meses do Verão e do fim da Primavera, quando o mar se encontra mais calmo e abundam os clientes para o pescado (aproveitando a época turística).

Outrora muito praticada ao longo de toda a costa portuguesa, entrou em decadência nas décadas de 60 e 70 do século XX, tendo desaparecido de grande parte das localidades costeiras do país. Nos locais onde sobreviveu, passou por um processo de modernização tecnológica, que lhe permitiu trabalhar com um número bastante mais reduzido de pescadores, bem como poupar estes do esforço muscular hercúleo que lhes era exigido no passado. Apesar destas transformações, esta arte ainda conserva um carácter tradicional, em que sobrevive muita da herança histórica, cultural e social de tempos passados.



Há um século atrás, o panorama era bem diferente da actualidade, com muitos milhares de pescadores e centenas de barcos espalhados por muitas das localidades costeiras de Portugal, aproveitando cada trégua concedida pelo mar para pescar.

Como funciona a Arte Xávega?

Para ajudar à compreensão do funcionamento desta arte tradicional de pesca, coloco aqui duas figuras que fiz em 2013 (com umas modificações mais recentes). Alerto os leitores que estes esquemas foram feitos por mim baseados no que conheço da Arte Xávega (a partir do que que vi, li e ouvi ao longo da minha vida), por isso o seu rigor poderá ser objecto de algumas críticas por quem verdadeiramente conhece e pratica esta arte.

Os sucessivos passos de uma ida ao mar encontram-se descritos em sucessão numérica nas figuras seguintes, que aconselho que sejam abertas numa nova janela do browser no seu tamanho real:

1 - O barco, em forma de meia-lua, que se encontra na praia previamente carregado com centenas ou milhares de metros de cordas e redes, é empurrado para o mar. À medida que avança, vai desenrolando e colocando no mar uma corda, cuja extremidade fica solidamente presa no praia.
Durante esta fase perigosa, o barco segue a direito pelo mar adentro, cortando as ondas na sua zona de rebentação.

2,3 - Ultrapassada a zona de rebentação, o barco vira de lado e inicia um longo percurso no mar que o leva a quase completar um círculo (ou um "O"), ante de iniciar a manobra de regresso à praia. Vai continuando a lançar a corda ao mar.

4,5 - O barco começa agora a lançar a primeira metade da rede de pesca propriamente dita ao mar.

6 - O barco atinge a metade do seu percurso e lança ao mar o saco da rede, onde mais tarde ficará retido o peixe. Este saco é marcado por uma grande bóia, destinada a ser visível ao longe a partir da praia, que servirá de referência visual durante as manobras para puxar as redes.

7 - O barco inicia o seu percurso de regresso, enquanto vai colocando no mar a segunda parte da rede de pesca.

8 - É colocada no mar a segunda metade da corda.

9, 10 - O barco termina o seu percurso no mar em forma de quase círculo (ou um quase "O" ) e vira directamente a proa para a praia, entrando na zona de rebentação das ondas, iniciando a manobra de saída do mar.

11- O barco lança-se a grande velocidade em direcção à praia até encalhar na areia, sendo então preso com cordas e puxado para a praia, até ficar num lugar seguro fora do alcance da água do mar lançada pelas ondas na praia. Ao sair do mar, o barco traz consigo a segunda corda das redes. 

12 e Figura II - Processo de puxar as redes:
(Tarefa lenta, que costuma demorar entre uma a duas horas, dependendo das dimensões das redes de pesca utilizadas.)

Na praia, a partir dos dois pontos de entrada e saída do barco no mar (que podem distar algumas centenas de metros entre si), as duas cordas começam a ser puxadas lentamente. À medida que as cordas vão sendo puxadas em dois pontos diferentes da praia, um deles ou ambos aproximam-se do outro por fases sucessivas, para ir fechando lentamente a rede de arrasto que vai cercando os cardumes de peixe.

Quando acabam as cordas e as duas pontas da rede de arrasto chegam à praia, os peixes ficam encurralados no seu interior. Depois vão ficando progressivamente concentrados no saco da rede, à medida que o resto da rede é puxado para a praia.

Nesta altura final, as duas pontas da rede já estão a ser puxadas de locais muito próximos, quase lado a lado, até que finalmente o saco da rede é puxado para a praia.

Uma vez que a tradicional Arte Xávega não dispõe ainda de tecnologias piscatórias de ponta, como sonares para localizar os cardumes de peixe ou sensores nas redes, é apenas nesta fase que os pescadores finalmente conhecem o rendimento que lhes proporcionou cada ida ao mar trabalhosa, pois o saco tanto pode vir cheio de peixe como quase vazio. Esta é sempre a fase do processo que suscita mais emoções fortes na praia e que costuma reunir uma multidão de pessoas à sua volta, entre pescadores, clientes, curiosos e turistas.

Depois o saco da rede é aberto, o peixe retirado, separado por espécies em cabazes e encaminhado para o mercado por diversas vias.
 
Nota: A descrição que fiz anteriormente relata como funciona a Arte Xávega em termos genéricos. Contudo existem algumas diferenças entre a Arte Xávega do Passado e a da Actualidade, bem como existiram fases de transição e evolução nos anos 60 a 90. Para saber mais sobre isso, não perca os próximos capítulos:

Arte Xávega II - À Moda Antiga.
Arte Xávega III - Evolução a partir dos anos 60, até à atualidade.
Arte Xávega IV - A Arte Xávega no Presente.

sábado, 2 de maio de 2015

Curva para lugar nenhum:

Uma foto curiosa, também tirada em Novembro de 2013, muito próximo do local das fotos do post anterior, a cerca de 2,5 quilómetros a Norte da Praia da Tocha:

Curve to Nowhere:
I'm back to the blog. Today i present a curious photo, who was also taken in November of 2013, near the place where the photos from the previous post were taken, in an area of desert beach,  some 1.5 miles North of Tocha Beach.


Localização / Location:

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Era uma vez um golfinho:

Na vasta costa marítima da Gândara, formada sobretudo por grandes extensões de praias desertas, é comum o mar depositar os restos mortais de grandes animais marinhos, falecidos por causas naturais ou vítimas da acção humana (hélices, redes de pesca, poluição...). Esta costa tem sido a última morada de muitos golfinhos, tartarugas e até baleias (como podem ver exemplos aqui (clicar) ou aqui (clicar)).
Deixo aqui algumas fotografias dos restos mortais de um golfinho, com aproximadamente dois metros de comprimento. As fotos foram tiradas numa zona de costa deserta situada a uns 2,5 km a norte da Praia da Tocha (na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), durante uma caminhada matinal realizada em Novembro de 2013.

Once upon a time a dolphin:

The vast coastline of the region of Gândara, mainly formed by long stretches of desert beaches, is often the final resting place of large marine animals, who died from natural causes or victims of human action (propellers, fishing nets, pollution ...). Is common to find here the remains of dolphins, turtles and even whales (you can see examples here (click), or here (click)).

Today i present some photographs of the remains of a dolphin, with approximately 6-7 feet long. The photos were taken in an area of desert coast, located approximately 1.5 miles north of Praia da Tocha (Tocha Beach), in the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede, during a morning hike in November of 2013.



Localização / Location: 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Arte Xávega à moda antiga:

A Arte Xávega é uma técnica tradicional de pesca costeira de arrasto, que ainda é praticada em algumas localidades costeiras de Portugal, sobretudo no Litoral Centro, incluindo na Praia de Mira e na Praia da Tocha. Outrora muito praticada ao longo de toda a costa portuguesa, entrou em decadência nas décadas de 60 e 70 do século XX, tendo desaparecido de grande parte das localidades costeiras do país. Nos locais onde sobreviveu, passou por um processo de modernização tecnológica, que lhe permitiu trabalhar com um número bastante mais reduzido de pescadores, bem como poupar estes do esforço muscular hercúleo que lhes era exigido no passado. Apesar destas transformações, esta arte ainda conserva um carácter tradicional, em que sobrevive muita da herança histórica, cultural e social de tempos passados.

Hoje deixo aqui alguns vídeos antigos retirados do Youtube, filmados em película nos velhos tempos do cinema a preto e branco, que nos dão um retrato fiel de como era a Arte Xávega à moda antiga:

The "Arte Xávega" in the old times:

The "Arte Xávega" is an ancient and traditional fishing technique, who is still used in a few coastal settlements of Portugal, mainly in the Central Region, including the Beaches of Mira and Tocha.

The "Arte Xávega" entered in decadence in the 60s and 70s, and disappeared in many places of the portuguese coast. In the few places where it survived, it underwent a small technological evolution, but retained many of its traditional, technical, cultural and social characteristics.


In these few movies, taken from Youtube, the reader can see how was the real "Arte Xávega" in the old times:
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Onde os Bois Lavram o Mar. Filme incompleto, filmado em 1959 na Praia de Mira (no Concelho de Mira).

Onde os Bois Lavram o Mar ("Where the Oxen Plow the Sea"). Part of a portuguese film from 1959, filmed in Mira Beach (Municipality of Mira).


  Mudar de Vida. Filme português de 1966, realizado pelo cineasta português Paulo Rocha (1935-2012) (Clicar!). As cenas do filme que decorrem entre os minutos 34 e 41 da película, filmadas em 1966 na Praia do Furadouro (no Concelho de Ovar), dão um retrato bastante realista de como era a Arte Xávega nesta época.

Mudar de Vida (can be translated to "Change of Life"), is a portuguese movie from 1966, made by director Paulo Rocha (1935-2012) (Click!). In the movie scenes between the minutes 34 and 41, filmed in Furadouro Beach (in the Municipality of Ovar), we can see how was the "Arte Xávega" in the old times.

Fishy Business In Portugal. Curta-metragem de actualidades cinematográficas, filmada em 1935 em Portugal.

Fishy Business In Portugal. Newsreel movie, filmed in 1935 in Portugal.


sábado, 11 de outubro de 2014

Um passeio pelo Norte da Praia da Tocha:

A Praia da Tocha (localidade também conhecida por Palheiros da Tocha, situada na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), é sobretudo conhecida por ser uma zona balnear bastante frequentada no Verão.
No Inverno, a praia fica quase deserta e a desolação reina no seu areal. Apesar da solidão e da hostilidade dos elementos mar, vento e frio, a Praia da Tocha continua a convidar a um passeio à descoberta dos seus encantos.
Hoje publico aqui algumas fotografias tiradas no Norte da Praia da Tocha em Dezembro de 2012, num dos últimos dias desse ano. Os locais fotografados incluem a pequena lagoa costeira da Levadia (clicar) e a Vala das Levadias (uma pequena ribeira), no curso em que corria nessa época para desaguar no Oceano Atlântico, com a devastadora erosão que provocava na grande duna primária.

Também incluo algumas imagens de um curioso abrigo rudimentar, construído nas dunas com ramos da floresta próxima e materiais recuperados do lixo depositado pelo mar na costa. Quem o terá feito e com que finalidade?

A walk in the North of Tocha Beach:

The "Praia da Tocha", Tocha Beach, also known as Palheiros da Tocha, is a coastal village located in Portugal (in the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede).

Tocha Beach is mostly known as a small Summer seaside resort. In the Winter it becomes almost desert, with the sands empty of people.

The Winter...
The sea, the wind, the cold..., they join forces to create a hostile environment to the few beach walkers. But still, Tocha Beach keeps its charms...

Today, i present a few pictures taken in Tocha Beach in December of 2012, during a walk in one of the last days of that year. The photos include the "Levadia", a small coastal lagoon, and the "Vala das Levadias", a creek who flows to the Ocean (click here to know more about these two). There are also a few photos of an odd rudimentary shelter, made with materials collected from the beach and the nearby forest.

















Localização / Location:

terça-feira, 20 de maio de 2014

No areal da Praia da Tocha:

Mais algumas fotos do areal da Praia da Tocha (também conhecida por Palheiros da Tocha), tiradas em Maio de 2011 e Março de 2010.
In the sands of Tocha Beach:
A few more photos of Tocha Beach (coastal village also known as Palheiros da Tocha). These photos were taken in May of 2011 and March of 2010.






sábado, 26 de abril de 2014

Praia da Tocha, Verão e Inverno:

Apresento duas imagens compostas da Praia da Tocha (localidade também conhecida por Palheiros da Tocha, situada na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), feitas a partir de 4 fotos tiradas em Agosto e Dezembro de 2009, em dias normais da semana.
A Praia da Tocha é um lugar de contrastes, apresentando-se quase deserta no Inverno (excepto aos fins de semana), mas bastante frequentada no Verão, podendo concentrar grandes multidões durante os Sábados e Domingos dos meses de Julho e Agosto.
Contudo, nos anos 80 e 90, esse contraste era bem mais vincado do que na actualidade. Nessa época, maiores multidões de turistas procuravam a praia no Verão. Em finais da década de 90, algumas pessoas passaram a preferir locais de férias considerados mais nobres, fora de Portugal ou no Algarve. Nos anos mais recentes, a crise económica também por aqui se manifestou. A praia ainda é bastante procurada e frequentada no Verão, mas os tempos dos fins de semana com o areal sobrelotado e dos grandes engarrafamentos automobilísticos, já pertencem ao passado.
Outro factor que acentuava o maior contraste Verão-Inverno visível nos anos 80 e 90, decorria de nessa época apenas residirem umas 20 pessoas na localidade durante todo o ano, enquanto agora a Praia da Tocha alberga cerca de 200 residentes permanentes. População essa que se multiplica bastante no Verão, quando por aqui passam muitos turistas e residentes temporários, pernoitando em casas e quartos arrendados, casas de férias, no parque de campismo e em autocaravanas.
Tocha Beach, Summer and Winter:
Today i present two composite images, made with four photos taken in Tocha Beach, in August of 2009 (above) and December of 2009 (below).
Tocha Beach, also known as Palheiros da Tocha, is a coastal village located in the area of the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede. The beach village is surrounded by miles of forests and desert beaches.
This beach, like many others, is a place of contrasts, being calm and almost desert in the Winter (with the exception of the weekends), and with lots of people in the Summer (with the biggest crowds also in the weekends of July and August).



Localização / Location:

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Era uma vez um Pinheiro:

Fotografia de um pinheiro que apresentava uma forma estranha e curiosa, fora do comum. Esta foto foi tirada em Dezembro de 2009, na Praia da Tocha. Actualmente este pinheiro já não existe, uma vez que foi cortado há uns dois anos, por motivos que eu desconheço.
Na orla marítima da Gândara, nas zonas desabrigadas de transição entre as dunas e a floresta costeira, existem muitos pinheiros com formas curiosas e incomuns. Assumem estes aspectos estranhos após décadas de crescimento, lutando pela sua sobrevivência contra os efeitos dos ventos fortes que sopram durante grande parte do ano, provenientes sobretudo do Norte ou do Noroeste (ventos conhecidos em Portugal pela designação de Nortadas).

Once upon a time one pine tree:
A photograph of a pine tree with an odd shape, almost lying down to southeast. The photo was taken in December of 2009, in Tocha Beach. This pine tree no longer exists, because it was cut down two years ago, for reasons unknown to me.
There are hundreds of pine trees with odd shapes in the costal areas of the Region of Gândara, between the dunes and the forest. Growing up slowly during decades, in open areas without shelter against the strong coastal winds (blowing mostly from the North or Northwest (winds known in Portugal by the slang word of "Nortadas")), many pine trees assume odd shapes.