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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Arte Xávega à moda antiga:

A Arte Xávega é uma técnica tradicional de pesca costeira de arrasto, que ainda é praticada em algumas localidades costeiras de Portugal, sobretudo no Litoral Centro, incluindo na Praia de Mira e na Praia da Tocha. Outrora muito praticada ao longo de toda a costa portuguesa, entrou em decadência nas décadas de 60 e 70 do século XX, tendo desaparecido de grande parte das localidades costeiras do país. Nos locais onde sobreviveu, passou por um processo de modernização tecnológica, que lhe permitiu trabalhar com um número bastante mais reduzido de pescadores, bem como poupar estes do esforço muscular hercúleo que lhes era exigido no passado. Apesar destas transformações, esta arte ainda conserva um carácter tradicional, em que sobrevive muita da herança histórica, cultural e social de tempos passados.

Hoje deixo aqui alguns vídeos antigos retirados do Youtube, filmados em película nos velhos tempos do cinema a preto e branco, que nos dão um retrato fiel de como era a Arte Xávega à moda antiga:

The "Arte Xávega" in the old times:

The "Arte Xávega" is an ancient and traditional fishing technique, who is still used in a few coastal settlements of Portugal, mainly in the Central Region, including the Beaches of Mira and Tocha.

The "Arte Xávega" entered in decadence in the 60s and 70s, and disappeared in many places of the portuguese coast. In the few places where it survived, it underwent a small technological evolution, but retained many of its traditional, technical, cultural and social characteristics.


In these few movies, taken from Youtube, the reader can see how was the real "Arte Xávega" in the old times:
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Onde os Bois Lavram o Mar. Filme incompleto, filmado em 1959 na Praia de Mira (no Concelho de Mira).

Onde os Bois Lavram o Mar ("Where the Oxen Plow the Sea"). Part of a portuguese film from 1959, filmed in Mira Beach (Municipality of Mira).


  Mudar de Vida. Filme português de 1966, realizado pelo cineasta português Paulo Rocha (1935-2012) (Clicar!). As cenas do filme que decorrem entre os minutos 34 e 41 da película, filmadas em 1966 na Praia do Furadouro (no Concelho de Ovar), dão um retrato bastante realista de como era a Arte Xávega nesta época.

Mudar de Vida (can be translated to "Change of Life"), is a portuguese movie from 1966, made by director Paulo Rocha (1935-2012) (Click!). In the movie scenes between the minutes 34 and 41, filmed in Furadouro Beach (in the Municipality of Ovar), we can see how was the "Arte Xávega" in the old times.

Fishy Business In Portugal. Curta-metragem de actualidades cinematográficas, filmada em 1935 em Portugal.

Fishy Business In Portugal. Newsreel movie, filmed in 1935 in Portugal.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Poços, poços e mais poços!

Entre a Lagoa da Vela e a aldeia do Bom Sucesso (Sede da Freguesia com o mesmo nome, no Concelho da Figueira da Foz), existe uma vasta extensão de terrenos agrícolas onde se localiza uma das maiores concentrações de poços agrícolas da Gândara. Estes poços servem terrenos agrícolas que na sua maior parte se caracterizam por serem estreitos (de reduzida largura) e compridos, reflexo da forma como os outrora pequenos terrenos familiares foram conquistados lentamente à Lagoa da Vela, durante os últimos 2 ou 3 séculos.
As fotografias que publico foram tiradas durante uma caminhada matinal em Novembro de 2013. Voltei a passar por esta área em Julho de 2014 e pude voltar a verificar que a maior parte destes campos agrícolas ainda estão em uso (em Julho o cultura do milho ocupa a maior parte deles), sendo raros os que se apresentam abandonados ou reflorestados com espécies de árvores para produção de madeiras industriais, como pinheiros ou eucaliptos; situação que contrasta com algumas outras zonas da Gândara, onde o abandono é a regra e não a excepção.
Esta intensa actividade agrícola também tem o seu reverso da medalha, pois a utilização de fertilizantes e pesticidas acaba por ter efeitos negativos na vizinha Lagoa da Vela.

Notei que a maioria dos poços da zona são servidos por infraestruturas comuns de distribuição de electricidade, para fazer funcionar os seus motores eléctricos de rega. O que também parece contrastar com outras áreas agrícolas da Gândara, onde cada um se desenrasca como pode. 
Terá havido cooperação e planeamento comum entre agricultores para as financiar e construir? Terá havido algum programa específico de apoio por parte das autarquias locais, Junta ou Câmara, ou do Governo Central? Terá sido um acaso? Não sei!

Wells, wells and more wells!

There is a big area of agricultural fields between the Lagoa da Vela (the biggest of the fresh water lakes of the region), and the village of Bom Sucesso (the name of the village can be translated to "Good Success"), both located in the Civil Parish of Bom Sucesso and Municipality of Figueira da Foz.
(Ok, this area is big for the standards of this sub-region, but small in comparison with the huge agricultural areas of the world, as the huge areas in the american Midwest, or even the big areas of other Portuguese agricultural regions, as the Ribatejo and Alentejo!)

Most fields in this area, with many different owners, are long, but very narrow, because of the way they were slowly reclaimed from the nearby lake, during the last 2 or 3 centuries. Unlike other agricultural areas of the region, where most fields are abandoned or reforested with pines or eucalyptus, in this area most fields are still in use. In the Spring and Summer, they are full of corn crops.

Of course that the use of fertilisers and pesticides have some negative consequences in the nearby lake.

Every field has one irrigation well to supply water, by pumps with electrical or combustion engines. And this area has one of the biggest concentration of wells of the sub-region of Gândara. I present a few photos of these wells, taken during an hike in November of 2013.









Localização / Location:

domingo, 24 de agosto de 2014

Memória das “Vacas Bravas”?




Nas diversas deambulações que fiz na minha vida por diferentes locais da floresta costeira gandaresa, que cobre dezenas de quilómetros quadrados na faixa litoral dos Concelhos de Mira, Cantanhede e Figueira da Foz (na parte Norte deste último); por algumas vezes me deparei com ossos de grandes dimensões, secos e de aspecto antigo. Apresento aqui uma foto do último que avistei, na zona conhecida por “Lagoa dos Patos” (localizada uns 2 km a Oeste da Caniceira, na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), em Maio de 2014, durante uma caminhada vespertina.

Creio que este osso será um vestígio das grandes manadas de gado bovino que pastaram outrora por esta área litoral da Gândara, as quais eram conhecidas pela população por “Vacas Bravas”. Elas por aqui andaram a pastar durante algumas centenas de anos, até aos inícios do século XX. Num processo antigo e tradicional de Transumância, grandes manadas de “Vacas Bravas” eram conduzidas pelos seus proprietários em direcção ao litoral da Gândara, onde pastavam durante os meses mais frios do ano, passando o período mais quente nas Serras do Interior.

Julgo que a florestação das dunas litorais da Gândara, que criou a actual mancha florestal, ocorrida nas décadas de 1920-1940, terá contribuído para o fim das grandes manadas de “Vacas Bravas” a pastarem livremente nesta área, uma vez que estas duas actividades seriam incompatíveis. Este processo de florestação foi feito para proteger os campos agrícolas e até algumas localidades da Gândara, ameaçados de serem lentamente soterrados pelo avanço das dunas de areia. Diz-se que a actual Vila de Quiaios esteve em risco de ser despovoada e abandonada, tal era a gravidade deste problema!

A população local aproveitava os dejectos secos deste gado para fertilizar os campos agrícolas em redor das aldeias. “Catadores de bosta” percorriam as dunas, com um grande cesto de vime às costas, onde iram recolhendo os dejectos catados do chão, com o auxílio de uma espécie de espeto de pau. Quando o cesto ficava cheio, o seu conteúdo eram compactado e vazado no chão, formando um monte de formato aproximadamente cónico. Depois de obtidos vários montes, ia-se a casa aparelhar a carroça, puxada por uma junta de bois e/ou vacas, para vir recolher esta preciosa carga (no contexto económico da época).
 
O meu falecido avô foi um desses catadores, durante a sua infância. Contou-me várias histórias desse tempo. Algumas envolveram cenas de discórdia e pancadaria pela posse desses preciosos “montes de bosta”. Hoje muitos não acreditarão nesta história de aspecto inverosímil, mas nesses tempos recuados, em que a pobreza grassava na Gândara, até a bosta animal se tornava preciosa.


A bone from the "Wild Cows"?

During the walks and hikes i made during my life, in the coastal forest of the region of Gândara, i have found a few big bones. The last one i saw is in the above photograph, taken in May of 2014, in one area located some 2 kilometers West of the village of Caniceira, in the (Civil) Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede.

I think that this and other big bones, are traces from the big herds of cattle (with hundreds of animals), who used to graze in this area, during centuries, until the first decades of the 20th century. Those herds of cattle were known by the local inhabitants as the "Vacas Bravas" (the "Wild Cows"). Their owners used to bring the cattle to spend the coldest months of the year in this area, returning the herds to the mountain ranges of the interior during the hottest half of the year. It was a traditional Transhumance, a seasonal movement of cattle, similar to others through the world.

The locals, they used to collect the dung of the cows, walking through the area with a big wicker basket in their backs, to use it as a organic fertilizer in the agricultural fields surrounding the villages. My deceased  grandfather did it during his childhood, and told me many stories of this era. In an era of misery, even the cow dung was stolen by some people.


The grazing of herds of cows in this area ended in the first decades of the 20th century. I think the main reason to this, was the planting of the huge pine tree forest, during the 20 and 30 decades, of the 20th century. This was done to protect the region from the advancing sandy dunes, who were threatening to bury agricultural fields and even some villages. 
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Imagem de satélite da área ocupada pela actual floresta costeira da Gândara, onde outrora pastavam as "Vacas Bravas". Esta área foi bastante afectada por fogos florestais durante as últimas três décadas, sendo o mais devastador o grande incêndio ocorrido no Verão de 1993:
Satellite image of the area of the coastal forest of Gândara (in the West area of the municipalities of Cantanhede and Mira, and North-West of the municipality of Figueira da Foz), where the "Wild Cows" grazed in the past. This forest was hit by a few big fires during the last 30 years, the very worst during the Summer of 1993.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Áreas de possível exploração de caulino:

(Actualizado em 26/06/2014:)

Num post anterior, expliquei as razões porque não concordava com a exploração em larga escala de caulino na Gândara. Agora deixo aqui um novo post que é sobretudo informativo.
Andei a pesquisar no site da Direcção-Geral de Energia e Geologia as áreas da Gândara onde foi requerida a prospecção e pesquisa de depósitos minerais de caulino e quartzo. Nos concelhos de Cantanhede, Mira e Figueira da Foz, a pesquisa apresentou-me 5 áreas, todas de grande dimensão. Converti os ficheiros PDF em imagens JPG de grande resolução, para que possam ter uma ideia das áreas pretendidas. Visualizem as imagens numa janela à parte, para que as possam analisar em pormenor.
O facto de uma das áreas pretendidas ser nas glebas florestais entre Berlengas e Cochadas, na Freguesia da Tocha, deixou-me particularmente surpreendido. Não deverá existir muito caulino naqueles solos maioritariamente arenosos, mas possivelmente existirá quartzo em abundância nas areias.

As áreas que tenho visto em discussão nas notícias, sites e redes sociais, são as que aparecem nos mapas da 2ª, 3ª e 5ª imagens. Relativamente às áreas representadas na 4ª e 6ª imagens, não sei como está a decorrer o processo.

Actualização em  26/06/2014:

Reparei hoje, por um post numa rede social, https://www.facebook.com/pages/Movimento_-Anti-Caulino-_ferreiraanova/652173718173003?ref=stream, que houve uma outra empresa que pediu a prospecção e pesquisa de caulino em três zonas da Gândara:
> Numa zona compreendida entre Caniceira, Gesteira e Cochadas.
> Zona entre os Olhos da Fervença e a Estrada Cantanhede-Mira. Muito preocupante, por ser demasiado próximo dos Olhos da Fervença!
> Área a sul de Moinhos da Gândara.

Desconheço como se encontram os processos. Mas relembro ao leitor que, somando todas as 8 áreas pedidas, se tratam de áreas que englobam várias dezenas de quilómetros quadrados!


Fonte das imagens: http://www.dgeg.pt/







26/06/2014:



sábado, 26 de abril de 2014

Praia da Tocha, Verão e Inverno:

Apresento duas imagens compostas da Praia da Tocha (localidade também conhecida por Palheiros da Tocha, situada na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede), feitas a partir de 4 fotos tiradas em Agosto e Dezembro de 2009, em dias normais da semana.
A Praia da Tocha é um lugar de contrastes, apresentando-se quase deserta no Inverno (excepto aos fins de semana), mas bastante frequentada no Verão, podendo concentrar grandes multidões durante os Sábados e Domingos dos meses de Julho e Agosto.
Contudo, nos anos 80 e 90, esse contraste era bem mais vincado do que na actualidade. Nessa época, maiores multidões de turistas procuravam a praia no Verão. Em finais da década de 90, algumas pessoas passaram a preferir locais de férias considerados mais nobres, fora de Portugal ou no Algarve. Nos anos mais recentes, a crise económica também por aqui se manifestou. A praia ainda é bastante procurada e frequentada no Verão, mas os tempos dos fins de semana com o areal sobrelotado e dos grandes engarrafamentos automobilísticos, já pertencem ao passado.
Outro factor que acentuava o maior contraste Verão-Inverno visível nos anos 80 e 90, decorria de nessa época apenas residirem umas 20 pessoas na localidade durante todo o ano, enquanto agora a Praia da Tocha alberga cerca de 200 residentes permanentes. População essa que se multiplica bastante no Verão, quando por aqui passam muitos turistas e residentes temporários, pernoitando em casas e quartos arrendados, casas de férias, no parque de campismo e em autocaravanas.
Tocha Beach, Summer and Winter:
Today i present two composite images, made with four photos taken in Tocha Beach, in August of 2009 (above) and December of 2009 (below).
Tocha Beach, also known as Palheiros da Tocha, is a coastal village located in the area of the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede. The beach village is surrounded by miles of forests and desert beaches.
This beach, like many others, is a place of contrasts, being calm and almost desert in the Winter (with the exception of the weekends), and with lots of people in the Summer (with the biggest crowds also in the weekends of July and August).



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quinta-feira, 3 de abril de 2014

A Fonte do Corgo (do) Encheiro:

A Fonte do Corgo Encheiro (também conhecida por Fonte do Corgo do Encheiro), será possivelmente uma das mais conhecidas e frequentadas fontes de água potável da Gândara. A fonte situa-se a cerca de 200 metros a Este da pequena aldeia do Corgo (do) Encheiro, num ligeiro vale, rodeada por pinhais, terras agrícolas e uma ribeira, que corre a um nível um pouco inferior.
Está localizada na Freguesia da Sanguinheira (no Concelho de Cantanhede), uma das poucas freguesias da região que ainda conservam várias das suas antigas fontes tradicionais, às quais deverei voltar a dar atenção neste blog.
Deixo aqui algumas fotos tiradas no local em Agosto de 2012, durante uma volta de bicicleta matinal. A actual configuração arquitectónica da fonte (teve várias ao longo do tempo), resulta de obras efectuadas em 1999. 
Embora exista uma rede pública de abastecimento de água bastante abrangente em todos os Concelhos e Freguesias da Região (a qual chegou a quase todos os locais habitados da Gândara entre as décadas de 60 e 80 do século XX), muitos pessoas ainda preferem utilizar água dos fontes para beber ou cozinhar (sobretudo daquelas fontes que conservam uma boa reputação popular). As razões pessoais que ditam essa preferência são inúmeras e não as vou discutir. 
Por isso ainda são muitas as pessoas que se deslocam às fontes, a pé ou nos seus veículos, enchendo de água garrafas, garrafões e outros recipientes, que transportam depois para as suas casas.
As fontes de água existentes nos vários concelhos da região, costumam ser objecto de análises periódicas às suas águas, para verificar se estas têm qualidade apropriada para consumo humano, sendo colocados avisos a interditar o consumo de água se algum problema for detectado.

The fountain of Corgo Encheiro:
The "Fonte do Corgo Encheiro" (also known as "Corgo do Encheiro"), is a public water fountain, built in a natural water spring (of drinking water, suitable for human consumption). The fountain is located some 200-250 yards east from the small village of Corgo do Encheiro, in the Civil Parish of Sanguinheira and Municipality of Cantanhede. The fountain is surrounded by woods, agricultural lands and a small stream.

Although there is a water supply network in the region (who is 30 to 50 years old, in most places), many people still prefer to drink water from a few fountains with good reputation. Usually, people park their cars or other vehicles near the public fountain, and they fill bottles, carboys or plastic jerrycans with water, to take home. Personally, i drink water from both sources.
The water of these public fountains is periodically subjected to laboratory analysis by public authorities, to check the water quality for human consumption.

The photos i publish were taken in August of 2012, during an early morning bike ride.







Localização / Location:

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Contra a exploração de caulino:

Uma vez que entendo que a exploração em larga escala de caulino poderá ter consequências graves de longo prazo para a Região da Gândara (está prevista em áreas dos Concelhos de Cantanhede, Mira e Figueira da Foz), ao nível do abastecimento de água, da agricultura (sobretudo nas águas dos poços e subterrâneas), da silvicultura, ambiental e paisagístico; e tendo em conta que os benefícios para as populações locais e autarquias serão reduzidos ou nulos e de curto prazo; junto este blog à campanha e petição contra esta actividade (que já assinei).
As autarquias de Mira e Cantanhede deram ambas parecer desfavorável a esta actividade, por unanimidade dos seus vereadores, que no entanto não será vinculativo nem decisivo. Os presidentes de junta das áreas previstas de exploração no Concelho de Cantanhede, contactados pela autarquia, foram unânimes na sua oposição a esta actividade.
Mais informações em:  http://cantanhede.eu/arquivo/169222

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lagoa da Salgueira, em Junho de 2007:

Das seis principais Lagoas da Gândara, a Lagoa da Salgueira é a única a que ainda não tinha feito qualquer referência neste blog, portanto é tempo de corrigir a minha omissão.

A Lagoa da Salgueira (de água doce), ocupa uma superfície aproximada de 5 hectares, estando a maior parte da sua área localizada na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede (cerca de dois terços), enquanto a parte sul pertence à Freguesia do Bom Sucesso e Concelho da Figueira da Foz. Está rodeada por campos agrícolas em quase todo o seu perímetro, excepto no lado Oeste, onde predominam pinhais e eucaliptais. A algumas centenas de metros da lagoa situam-se várias casas, pertencentes à aldeia dos Morros, que ao contrário da lagoa, pertence na maior parte à Freguesia do Bom Sucesso, com excepção de umas cinco casas. A pequena aglomeração de casas situada a cerca de 200 metros a sul da lagoa é conhecida pela designação de Casal do Céu.

Esta lagoa, de entre as principais, será aquela que actualmente estará em maior risco, enfrentando um processo grave de assoreamento, que poderá levar ao seu total desaparecimento em 20 ou 30 anos, caso nenhuma intervenção seja feita. O lento assoreamento natural que caracteriza estas lagoas de baixa profundidade, com contínua deposição de sedimentos, tem sido acelerado por acção humana, nomeadamente através de aterros agrícolas recentes, da introdução de plantas exóticas invasoras (penso que se tratará sobretudo do jacinto-de-água), ou da situação catastrófica de 2005, em que a Vala das Lagoas foi limpa (vala que escoa o excesso de água desta lagoa para a Lagoa dos Teixoeiros e depois para o mar (na Levadia a norte da Praia da Tocha), também conhecida por Vala das Levadias); limpa mas também demasiado aprofundada, que conjugada com a grave seca ocorrida nesse ano, provocou a seca total da lagoa e o avanço para o centro da vegetação das margens.
É com muita pena minha que vou assistindo à morte lenta desta lagoa.

The "Lagoa da Salgueira", in June of 2007:

The "Lagoa da Salgueira" is a fresh water lake (or lagoon, as we call to it in Portugal), with an area of nearly 5 hectares (12 acres). Most of the area of the lake is located in the Civil Parish of Tocha and Municipality of Cantanhede (around two thirds of the area), while the southern part belongs to the Civil Parish of Bom Sucesso and Municipality of Figueira da Foz.

Unlike the lake, almost all houses of the nearby village of Morros are located in the Civil Parish of Bom Sucesso. One group of houses, located some 200 yards south of the lake, is known by the cute name of "Casal do Céu" (can be translated to "Heaven's Couple").

This lake is facing a fast aggradation process, with the risk of disappearing in 20-30 years, if nothing is done.











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sábado, 19 de outubro de 2013

Ciclismo em Portomar:

Amateur Cycling Race in Portomar:




Pôr-do-sol em Portomar! Dá-se o Sprint Final! O ciclista vestido de azul ganha a corrida...
Sunset in Portomar! The final sprint! The blue jersey cyclist wins the race...
Portomar is a village located in the Civil Parish of Mira and (also) Municipality of Mira, in Portugal.



Estou de volta ao ciclismo, ao blog e espero escrever por aqui com maior regularidade...

Na tarde do dia 26 de Agosto de 2013, aproveitei uma boleia para me deslocar até Portomar (localidade situada na Freguesia e Concelho de Mira), para assistir a uma prova de ciclismo amador aí realizada (com inscrições abertas para todos aqueles que nela quisessem participar). Esta prova popular realiza-se todos os anos, integrada no programa das festas populares e religiosas tradicionais desta localidade (Festas em Honra de Nossa Senhora do Carmo). 

A prova consiste em efectuar 1+20 = 21 voltas a um circuito urbano realizado nas ruas da localidade (a primeira volta é efectuada devagar, para reconhecimento do percurso, finda a qual se dá a partida real da prova), com uma distância aproximada de 2,3 km por volta.

Por tradição popular, a primeira volta ao circuito (para reconhecimento do percurso), é liderada por um senhor de idade, bastante conhecido e acarinhado pela população local, o senhor "Zé Diniz" (ou Dinis?), o qual aparece nas fotografias vestido com um antigo equipamento de futebol do Sporting Clube de Portugal. Mal acaba de realizar a primeira volta, sob fortes aplausos, o popular "Zé Diniz" encosta a sua bicicleta e junta-se em convívio com a população local, participando na festa popular que rodeia esta prova.

Enquanto decorria a prova, aproveitei para dar uma volta a pé pelo percurso, tirando algumas fotografias pelo caminho. Procurei enquadrar nas fotos da corrida algumas das tradicionais casas gandaresas / gandarezas, que ainda vão existindo em Portomar. A título de curiosidade, voltei a encontrar uma poltrona abandonada na via pública.

Este tipo de provas de ciclismo popular, hoje bastante raras, eram muito comuns há meio século atrás, integradas em centenas de festas populares de muitas cidades, vilas e aldeias de Portugal. Foi graças aos bons resultados obtidos neste tipo de provas, que alguns nomes históricos do ciclismo português conseguiram convites para ingressar em equipas de ciclismo nacionais, as quais lhes permitiram participar e brilhar em grandes provas nacionais, como a Volta a Portugal. Nesse passado já distante, muitos eram os jovens ciclistas amadores com sonhos e ambições pessoais que compravam a sua bicicleta e o seu equipamento com bastantes sacrifícios, treinavam sozinhos e chegados à altura da Primavera / Verão, procuravam obter protagonismo e bons resultados neste tipo de provas, esperando obter o merecido convite para ingressar numa das equipas de ciclismo que disputavam as principais provas nacionais.

No presente, o paradigma da formação de ciclistas mudou radicalmente. Os aspirantes a ciclistas de topo ingressam muito jovens em clubes com equipas de formação ou em escolas de ciclismo e vão participando regularmente em provas por escalões etários. Mas continuam a ser muito poucos os privilegiados que conseguem tornar-se ciclistas profissionais.

Entretanto, no tempo que passou entre este evento e o dia em que estou a escrever este texto, o ciclismo nacional conseguiu um feito histórico de enorme importância, uma vez que um português se sagrou Campeão do Mundo de Ciclismo de Estrada, numa prova épica disputada sob fortes chuvadas! Grande Rui Costa!



















































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