segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Moinho Gandarez do Casal Novo:

Na aldeia do Casal Novo (na Freguesia de Quiaios e Concelho da Figueira na Foz), existe um moinho gandarez tradicional, o qual é facilmente visível, por se localizar ao lado da Estrada Nacional 109. É um dos poucos moinhos de vento gandareses tradicionais que restam nesta região, embora outrora tenham sido numerosos.

Há uns meses, depois de muito tempo sem passar por esta zona do Sul da Gândara, reparei que este moinho tinha um aspecto diferente, sinal de que teve uma intervenção de restauro, feita num dos últimos anos, em data que desconheço.

Numa conversa com uma pessoa desta zona (e a fazer fé nas suas palavras), foi-me dito que o moinho terá ficado operacional após o restauro, mas que, uns meses depois, terá voltado a ficar inoperacional por ter sido assaltado. Durante esse assalto, alguém terá levado a grande peça metálica que conduz a força motriz das velas para as mós do moinho, peça essa difícil de substituir. (Peço desculpa aos leitores por não saber a denominação técnica dessa peça.) Porque alguém roubaria peças de um moinho? Talvez por pura malvadez? Talvez porque essa peça de ferro bastante pesada ainda renda alguns euros num receptador de ferro velho menos consciencioso? Mais um sinal dos tempos preocupantes que Portugal atravessa.

Deixo aqui algumas fotos que ilustram a evolução recente deste moinho. Essas fotos foram tiradas em Abril de 2016, Janeiro de 2010 e Outubro de 2007, sempre durante voltas de bicicleta. As fotos mais antigas também foram incluídas nos minutos finais de um vídeo que fiz em 2011 sobre os Moinhos de Vento Gandareses, que aqui deixo.

Os Moinhos Gandareses distinguem-se essencialmente de outros tipos de moinhos, por:
- Serem de pequeno tamanho e quase totalmente construídos em madeira.
- Estes Moinhos têm um formato de trapézio isósceles, quase triangular, pois o lado virado para o vento tem uma largura muito reduzida. Uma notável concepção aerodinâmica empírica! A maioria dos outros tipos de moinhos possuem uma forma circular.
- O Moinho é concebido de forma a que a totalidade da sua estrutura possa rodar na horizontal, com a força física de uma única pessoa, de forma a ajustar a posição das velas com a direcção do vento, em determinado momento.  Mais uma característica que o diferencia da maior parte dos outros moinhos, nos quais apenas o mastro e o telhado se movimentam para se adequarem à direcção do vento. O moinho é edificado sobre uma pequena elevação artificial de terra (em zonas planas) ou no topo de uma colina / duna. Para possibilitar a rotação, o moinho é construído de uma forma em que apenas três partes móveis estão em contacto com o solo:

>>> Duas rodas de madeira, as quais se movimentam numa estrutura / carril circular (usualmente construída em pedra calcária, tábuas de madeira ou no caso dos moinhos mais recentes, em cimento).

>>> Uma grande pedra (por exemplo uma antiga mó), no centro da estrutura circular, a qual serve de base para o eixo de rotação do moinho, em pedra ou em ferro.
 
The Windmill of Casal Novo:

In the village of Casal Novo (in the Civil Parish of Quiaios and Municipality of Figueira da Foz), there is one traditional windmill from this region. This "Moinho de Vento Gandarez" is very visible, as it is located near the EN-109 (National Road 109). It's one of the few remaining windmills, from an ancient past when there were many of them in this region.

After  a long time without traveling in this area, a few months ago i noticed that this windmill was with a different appearence, an indication that it has been restored.
In a conversation with a person from this area, it was told to me that the windmill became again operational after the restoration, but, unfortunately, it was robbed a few months after, by someone who stole a big iron component of the windmill's mechanism. It was very sad to me to hear that.

Today i publish here some photo to ilustrate the evolution of this windmill during the last years. All the photos were taken during bike rides, in April of 2016, January of 2010 and October of 2007. The photos of 2010 and 2007 were used in a video i made in 2011, about this type of traditional windmills. (See the video bellow.)
This type of windmills has some unique features:
- The windmills have a small size and are built almost entirely with wood boards, mainly pine tree wood. This region has a sandy soil, almost without stone, and so, wood and adobes were the main raw materials for construction, in the past.
- They have the shape of an isosceles trapezoid, actually almost triangular, because the building side who face the wind has a very small width, in an empirical aerodynamic design.
- The entire structure of the windmill was designed to be rotated by the physical strenght of only one man (by the miller), around a central axis, to match the sails with the wind direction. So, only three parts of the windmill are in contact with the ground:
>>> The rotation axis, formed by one conic stone above an old mill stone.
>>> Two wooden wheels, who rotate in a circular rail structure (usually made of limestone stones, wooden boards, or in concrete (in the most recent windmills)).



Abril de 2016 / April of 2016:















Janeiro de 2010 / January of 2010:









Outubro de 2007 / October of 2007:







Localização / Location: 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Um "agradecimento a alguém" ligado a uma autarquia desta região:

A foto em cima foi publicada neste blog em 2010, no artigo "O Moinho Gandarez dos Morros foi restaurado! (Clicar para ver o artigo).
A foto também aparece neste vídeo que fiz em 2011, sobre os Moinhos de Vento Gandareses, aos 2:03.

Em 2015, descobri por mero acaso que esta foto foi utilizada (com muita edição digital), por alguém ligado a uma autarquia desta região (alguém cuja identidade desconheço), nos cartazes de divulgação feitos para as edições de 2014 e 2015 de um evento desportivo organizado por essa autarquia. Trata-se de um evento desportivo já com alguma dimensão, que reúne centenas de participantes inscritos.

O meu "agradecimento" a alguém cuja identidade desconheço é feito pelo facto de não terem sequer mencionado uma única vez a autoria da foto, mesmo depois de eu ter feito algumas chamadas de atenção no Facebook da organização do evento, em 2015.

Apenas faço este post em 2016 porque aguardei um ano para verificar se a foto continuaria a ser utilizada em 2016, mas a organização não a utilizou na divulgação da edição do evento deste ano.

Opto por não mencionar a identidade dessa autarquia porque não tenho nada contra ela, nem contra os habitantes locais, apenas não gostei da atitude de alguma ou algumas pessoas relacionadas com essa autarquia, pessoas cuja identidade eu desconheço.


Tudo começou em 2015, quando descobri por acaso uma foto num cartaz que me pareceu familiar. Depois de verificar que era mesmo a minha foto, mas com bastante edição digital em cima, fiz uma chamada de atenção no Facebook da organização:
Como não tive resposta, ao fim de alguns dias apaguei a minha mensagem. Entretanto, pesquisando mais um pouco, descobri que a imagem também tinha sido utilizada no cartaz de 2014.

Coloquei nova chamada de atenção no Facebook, que desta vez teve resposta:
(Uma vez que se tratam de mensagens públicas que estiveram online, visíveis para qualquer pessoa, durante dezenas de minutos, penso que não cometo nenhum ilícito em as revelar.)


Este diálogo foi apagado por alguém, umas dezenas de minutos depois da minha última mensagem.
Voltei a colocar nova mensagem, também com resposta:


Este diálogo voltou a ser apagado por alguém, umas dezenas de minutos depois da minha última mensagem.
Para concluir, volto a frisar que não tenho nada contra esta autarquia local (cuja identidade optei por não mencionar), nem contra os habitantes locais, mas apenas não gostei da atitude de alguém cuja identidade desconheço, ligado a essa autarquia.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Um Esquilo-vermelho:

Durante a longa caminhada que fiz em Abril de 2016 (já referida nos dois artigos anteriores), andei por aquela que será provavelmente a área mais deserta da região em termos humanos, onde não existe uma única casa habitada num raio de vários quilómetros e onde é possível andar várias horas seguidas a caminhar sem ver outra pessoa.

E ao percorrer um caminho florestal de areia solta, numa zona localizada aproximadamente a uns 5 quilómetros a Sul da Praia da Tocha e a uns 500 metros a Este do mar, apanhei um pequeno susto. Um bicho desconhecido que se encontrava no chão da floresta, a uns dois metros de mim, sem que eu o tivesse visto, de repente começou a correr, fazendo barulho nos arbustos e folhas secas do solo. Inicialmente, durante umas fracções de segundo, pensei que fosse um coelho ou lebre, mas para minha surpresa o tal animal trepou por um pinheiro acima.

Aí compreendi que se tratava de um esquilo, mas continuei admirado, porque pensava que não existiam esquilos na Gândara. E este foi o primeiro que vi ao vivo na minha vida. Tirei algumas fotos que aqui publico, de baixíssima qualidade, pois apenas trazia comigo uma máquina fotográfica antiga e quase sem zoom.

À noite, já em casa, fui pesquisar um pouco sobre este animal. Concluí que se tratava de um Esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), uma espécie que estará de regresso a Portugal (e à Gândara), após séculos de ausência.

O Esquilo-vermelho foi outrora uma espécie bastante comum em Portugal, mas desapareceu completamente do nosso país por volta do século XVI. Uma das causas apontadas para esse desaparecimento foi a nossa Epopeia dos Descobrimentos, em que muitas florestas foram deitadas abaixo para obter madeiras para a construção naval das Caravelas, Naus, Galeões ou Carracas com que os nossos antepassados percorreram os mares do globo, privando assim a espécie dos seus habitats.

Contudo, por volta dos anos 80-90 do século XX, o Esquilo-vermelho começou a repovoar o Norte de Portugal, deslocando-se a partir da vizinha região da Galiza, em Espanha. Desde então tem avançado lentamente para Sul, estando actualmente identificado na zona do rio Tejo. Esta espécie terá assim chegado à Gândara há poucos anos.

Esta espécie está a ser estudada por uma bióloga, que mantém uma página no Facebook dedicada ao Esquilo-vermelho em Portugal, onde o leitor poderá comunicar as suas observações deste animal (tal como eu fiz), obter mais informações ou ver algumas fotos e vídeos de belo efeito:

Para quem quiser saber mais, poderá consultar estes links:

A Red Squirrel:

As i said before, in the last two posts, i made a long hike in April of 2016, in the coastal forest and also in the desert beaches of this region. This is the most isolated area of this region, without a single inhabited house in a radius of several kilometers. In this area, it is possible to walk a few hours without seeing other human being.

During this hike, i was walking in a sandy trail when something scared me during a second. For my surprise, some animal who was near me (but unseen by me), started to run. First i thought is was a rabbit. But the animal climbed to a pinetree.

Then i realized it was a squirrel. This was the first squirrel i saw in the nature. I took a few bad pictures, as i only had with me an old camera,  without zoom.

At night, at home, i searched the web about this animal. It was a red squirrel (Sciurus vulgaris). This animal was very common in Portugal a few centuries ago, but became extinct during the XVI th century. One of the reasons appointed to this extinction was the Portuguese Age of Discoveries, when most forests in the country were cut to get wood for naval construction.

But, during the last two or three decades, the red squirrel started to slowly recolonise Portugal, traveling north to south, from the region of Galicia, in Spain. This species must have arrived to this region only a few years ago. And this was the first time i saw one, to my surprise!





Localização / Location:

sábado, 30 de julho de 2016

Pote de Plástico de Pesca ao Polvo:




De todo o lixo flutuante que o Oceano Atlântico costuma depositar nas praias da Gândara, este tipo de objectos deverá ser um dos mais numerosos, a par das garrafas ou das bóias. Existem seguramente muitos milhares destes objectos ao longo dos cerca de 35 a 40 km da costa gandaresa. E poderiam já ser dezenas de milhares, se não fossem as limpezas periódicas que costumam ser feitas nas praias.

Trata-se de um pote de plástico para pesca ao polvo. Neste tipo de pesca, estes potes, com um peso num dos seus lados, para afundarem (peso geralmente de cimento, que já não existe neste pote, o que lhe permitiu flutuar), são presos a cordas e colocados em grupos no fundo do mar durante algumas horas, em águas costeiras pouco profundas. Estes potes substituíram nas últimas décadas os tradicionais potes cerâmicos de argila que foram usados na pesca ao polvo durante séculos.

Este tipo de pesca só é possível devido ao comportamento invulgar do polvo, que acaba por ser a sua perdição. Ele entra num nestes potes, que escolhe como nova casa temporária, tal como o faz em buracos nas rochas e outros objectos submersos com orifícios. Quando estes potes são recolhidos pelos pescadores nos seus barcos, puxando as cordas que os prendem, o polvo, em vez de fugir do pote ao sentir este a movimentar-se, ainda se recolhe mais para o fundo do buraco, onde se agarra com toda a sua força.

De onde vêm estes potes de plástico? É difícil saber, se não tiverem indicação do fabricante. Tanto podem ter vindo de outro ponto da Costa Portuguesa, como das Rias da Galiza, como até da costa atlântica do Norte de África ou mesmo das Caraíbas. As correntes marítimas no Atlântico Norte seguem um padrão aproximadamente circular, (o leitor pode pesquisar na internet por "North Atlantic Gyre"). Estas correntes marítimas podem concentrar o lixo flutuante no meio do oceano (pesquisar por "North Atlantic Garbage Patch"), mas também o podem depositar nas praias, sobretudo durante as tempestades de Inverno.

As fotos que publico foram tiradas uns 4 km a Sul da Praia da Tocha, numa caminhada que dei em Abril de 2016, já referida no post anterior.

Para quem se safar com o Inglês, deixo umas sugestões de leitura:

Plastic Pot for Octopus Fishing:

Of all the floating debris that the Atlantic Ocean throws in the 35 to 40 kilometers of the coast of Gândara, this type of objects is one of the most numerous, with bottles (of plastic or glass) and buoys from fishing nets. There are many thousands of these objects, but without the periodical beach cleanings, they could be tens of thousands.

This is a plastic pot for octupus fishing, one of the thousands i saw over the years. Where it come from? Without manufacturer marks in the object, it is almost impossible to know. Perhaps it came from other place of the portuguese coast, perhaps from Galicia (in Spain), perhaps from the Atlantic Coast of North Africa, perhaps from the Caribbean Islands...? The oceanic currents of the North Atlantic have a circle pattern (you can search for "North Atlantic Gyre"), and, perhaps, some sea winter storm have made this object to escape from the "North Atlantic Garbage Patch"?

These photos were taken in a deserted beach,  some four kilometers south of Praia da Tocha (Tocha Beach), in April of 2016, during the same hike that i mentioned in the last post.

Suggested readings:

terça-feira, 5 de abril de 2016

US Coast Guard!





Hoje deixo aqui um apontamento curioso sobre um grande objecto de plástico (possivelmente parte de uma bóia), que outrora terá pertencido à Guarda Costeira dos Estados Unidos da América, mas que as correntes marítimas circulares do Atlântico Norte depositaram numa praia deserta da Gândara.

As fotos que aqui publico foram tiradas no último Sábado (em Abril de 2016), durante uma longa caminhada, numa zona de costa deserta situada aproximadamente a uns 5 km a Sul da Praia da Tocha, mas cuja área pertence à Freguesia do Bom Sucesso e ao Concelho da Figueira da Foz. Na última foto, tirada em direcção  ao Sul, é possível avistar ao longe os contornos da Serra da Boa Viagem e do Cabo Mondego.

US Coast Guard!

Today i present a few curious photos, about an odd big object, made in plastic (perhaps a part of a buoy), who once belonged to the United States Coast Guard. This object was deposited, by the sea and ocean currents, in a desert beach of Gândara, in Portugal.

The photos were taken in an area of desert beach, located some 5 kilometers south of Praia da Tocha ("Tocha Beach", a.k.a. "Palheiros da Tocha"), in the first Saturday of April of 2016, during a long walk. However, this area belongs to the Civil Parish of Bom Sucesso and Municipality of Figueira da Foz.


Localização / Location:

quarta-feira, 23 de março de 2016

Raízes Aéreas na Lagoa das Braças:

Raízes Aéreas? Sim, elas existem! Várias espécies de árvores que vivem em zonas húmidas, que costumam estar frequentemente alagadas, desenvolveram diversos tipos de raízes aéreas, que crescem acima do nível do solo. Estas raízes têm finalidades diversas, como extrair ar da atmosfera para as raízes subterrâneas (funções respiratórias) ou ajudar a fixar as árvores nos solos pouco consistentes próprios das zonas húmidas.
Hoje apresento aqui algumas fotos tiradas em Fevereiro de 2013, nas matas localizadas no canto Noroeste da Lagoa das Braças (durante uma caminhada matinal), de algumas raízes aéreas dos Ciprestes aí existentes, dos quais eu desconheço o nome científico exacto da sua espécie. Este tipo de raízes aéreas são conhecidos por "Joelhos de Cipreste" ("Cypress Knees").
A Lagoa das Braças (também conhecida por Lagoa das Três Braças ou Lagoa dos Três Braços), é uma lagoa de água doce de origem natural, situada na Freguesia de Quiaios e Concelho da Figueira da Foz. Ocupa uma área aproximada de 20-25 hectares, encontrando-se rodeada por florestas em quase toda a volta, com excepção da sua parte Este, onde existem vários terrenos agrícolas.

Aerial Roots in Lagoa das Braças:

Aerial Roots are tree roots who grow above ground level. They are commom in species of trees from wetlands. Today i present a few pictures of Aerial Roots from Cypresses (in don't know the name of this species of cypress), who are known as "Cypress Knees".

These pictures were taken in the woods of the Northwest corner of Lagoa das Braças, in February of 2013, during a morning hike. The "Lagoa das Braças" (also known as "Lagoa das Três Braças" or "Lagoa dos Três Braços"), is a freshwater lake of natural origin, located in the Civil Parish of Quiaios and the Municipality of Figueira da Foz. This lake has an approximate area of 20-25 hectares (about 49 to 62 acres). It's surrounded by forests almost everywhere, except on the East side, where there are agricultural lands.











Localização / Location:

quarta-feira, 9 de março de 2016

Ainda há Palheiros na Gândara!

Até há cerca de 20 a 30 anos atrás, os Palheiros faziam parte integrante da paisagem da Gândara. Existiam dezenas de milhares deles espalhados pela região. Quase todos os agregados familiares que se dedicavam à agricultura tradicional tinham vários palheiros nos seus terrenos.
Os Palheiros eram construções tradicionais que serviam para armazenar plantas forrageiras usadas nas alimentação do gado doméstico, sobretudo gado bovino (bois e vacas), ou caprino (cabras), ovino (ovelhas) e asinino (burros), em menor escala. Entre os vários tipos de plantas forrageiras que eram armazenadas nos Palheiros, incluem-se fenos, pastos e a palha do milho. Os Palheiros da Gândara coexistiam com um outro tipo de construção tradicional usada para guardar plantas forrageiras, a "Cabana", de que falarei mais adiante, em outro artigo.

(Não confundir estes "Palheiros" com outro tipo de "Palheiros", pequenas habitações tradicionais de madeira que existiam no passado na Praia da Tocha (ou Palheiros da Tocha), na Praia de Mira (ou Palheiros de Mira) e outras pequenas localidades costeiras da Região Centro, com pequenas diferenças locais na sua construção.)
 
A construção de um palheiro iniciava-se com a colocação de um comprido tronco de madeira (geralmente de pinheiro ou eucalipto), profundamente cravado no solo na vertical, que lhe dava estabilidade e resistência. Depois a palha ia sendo colocada em volta desse tronco, de forma circular, normalmente por uma equipa de duas pessoas (geralmente um casal de agricultores). Uma pessoa ficava no solo a carregar a palha com uma comprida forquilha de madeira (na maior parte das vezes o homem). Essa palha era entregue à pessoa que ficava em cima do palheiro (geralmente a mulher), que a ia colocando no sítio.
Assim o Palheiro ia crescendo lentamente na vertical, podendo atingir 4, 5, 6 ou 7 metros de altura. Acabada a construção do palheiro, a pessoa em cima tinha de descer por uma escada. Depois, durante os meses seguintes, a palha ia sendo retirada lentamente por baixo, à medida que ia sendo necessária para a alimentação do gado, até o palheiro desaparecer por completo e ser substituído por outro.
Devo confessar que passei uma parte da minha infância a brincar nos palheiros dos meus avós (assim como assisti à sua construção), dos quais tenho boas recordações.
Durante as últimas duas a três décadas, os Palheiros foram desaparecendo da Gândara. A Agricultura tradicional declinou e a moderna Agro-Pecuária usa preferencialmente silagens e fardos de palha para conservar as plantas forrageiras usadas na alimentação do gado.
Ainda vão existindo alguns Palheiros pela Gândara, mas já são uma raridade. Daí a minha surpresa em ter encontrado um grupo de palheiros perto de uma casa dos Pelicanos (aldeia localizada na Freguesia de Arazede e no Concelho de Montemor-o-Velho), durante uma volta de bicicleta realizada em Outubro de 2015, dos quais deixo aqui duas fotografias.
A título de curiosidade, estive a pesquisar sobre os palheiros tradicionais pela internet, tendo reparado que ainda existem muitos palheiros parecidos com os antigos palheiros tradicionais gandareses (mas não sendo  propriamente iguais na sua estrutura), nas regiões rurais da Roménia (clicar para abrir o link).

There are still "Palheiros" (haystacks) in Gândara:

The "Palheiros" (portuguese word for "haystacks") are traditional constructions, who were very commom in the region of Gândara in the past. The "Palheiros" were used to store several types of hays, used as fodder to feed livestock, mostly cows, but also sheep, goats or donkeys.
There was another traditional type of construction, also used to store hay, but more complex, the "Cabana" (can be translated to "hut"). I will talk about it in other article.

(The word "Palheiro" is also used to designate one type of traditional wooden houses, small in size, who were very commom in the past in Praia da Tocha (Tocha Beach, also known as Palheiros da Tocha) and Praia de Mira (Mira Beach, also known as Palheiros de Mira), that almost disappeared nowadays. Do not confuse the two types of "Palheiros".)


There was another traditional type of construction, also used to store hay, but more complex, the "Cabana" (can be translated to "hut"). I will talk about it in other article.

As i said before, the Palheiros were very commom in the Region, 30 years ago. There were tens of thousands of Palheiros. Almost all people who used to work in the traditional agriculture, had a few palheiros in their lands.

But during the last decades, they disappeared in the region, for several reasons. The traditional economy, based in secular forms of agriculture, colapsed with the economical evolution of the country. In the modern agriculture, livestock animals  are feed with silage or hay bales. So, the traditional palheiros lost their place in local economy.

They almost disappeared in the region, but they are not extint. I present two photos of a group of small "Palheiros" (in the past, they could be bigger, 4 to 7 meters tall). The photos were taken in October of 2015 (during a bike ride), in the village of Pelicanos (means "Pelicans"), located in the Civil Parish of Arazede and in the Municipality of Montemor-o-Velho.


I spent many hours of my childhood playing in the Palheiros of my grandparents!

In my web searches, i found that there are still many haystacks in rural areas of Romania, who are very similar to the old Palheiros from this region, with only a few differences (click to open link).



Localização / Location: