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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Elas Sobreviveram ao Incêndio! Mas Sobreviverão à Seca?


Num dos últimos dias de Outubro de 2017, durante uma das voltas de bicicleta que dei para ver a destruição causada pelo grande incêndio que devastou a Gândara nesse mês, encontrei algumas dezenas de Rãs (espécimes de Rã-verde ou Rã-comum (Rana perezi ou Pelophylax perezi)), concentradas numa minúscula poça de água com alguns escassos centímetros de profundidade, no fundo de um buraco, localizado na floresta, na Freguesia da Tocha e Concelho de Cantanhede. Foi um momento de alegria efémera no meio de horas de profunda tristeza, por vislumbrar alguma vida no meio daquele cenário dantesco de quilómetros e quilómetros seguidos de destruição.
Penso que os buracos como este, dos quais existem algumas dezenas na floresta, terão sido escavados pelos Serviços Florestais nos anos 90, para os animais selvagens que deambulam pela floresta poderem beber água.

Não deixa de ser curiosa e trágica a situação destas Rãs. Elas conseguiram sobreviver mesmo no meio do terrível incêndio, que destruiu quase todas as árvores existentes num raio de alguns quilómetros em redor do pequeno charco delas. Contudo, elas arriscam-se a morrer devido à seca extrema que atinge o país, se esta minúscula poça de água secar por completo.
Conseguirão elas sobreviver?










Localização:


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Noites de Chuva no Quintal - I : Salamandra-Comum.



Noites invernosas, frias, com chuva no quintal... Noites em que muitos pequenos animais, que permanecem ocultos durante o resto do ano, se tornam mais activos e visíveis... Noites em que quando caminhamos na escuridão, convém termos o cuidado de iluminar o caminho que antecede os nossos passos, com uma lanterna, para evitar pisar as pequenas criaturas frágeis que se movimentam nas trevas.

Numa dessas noites, em Janeiro de 2013, descobri uma salamandra (um pequeno anfíbio da espécie salamandra-comum, também conhecida por salamandra-de-fogo ou salamandra-de-pintas-amarelas ("Salamandra salamandra")), a movimentar-se lentamente pelo quintal, no ritmo vagaroso que as caracteriza. Corri a casa para ir buscar a máquina, fazendo uma sessão fotográfica de uns 10 minutos com este modelo involuntário, sem nunca lhe tocar e deixando-a depois prosseguir o seu caminho.

Curiosamente, quase um mês depois, em Fevereiro de 2013, em outra noite chuvosa, tornei a encontrar a mesma salamandra (penso que seria a mesma), tendo tirado mais algumas fotos. Desde então não a voltei a ver!

Para evitar mal-entendidos comuns na internet, advirto o leitor que as manchas e pingos vermelhos que aparecem em algumas fotos no chão de cimento, em volta da salamandra; são de tinta, em resultado de alguns trabalhos realizados no local.

Rainy nights in the backyard - I : Fire Salamander.

Rainy winter nights in the backyard... Nigths when some small animals, who stay hidden most of the year, become more active and visible... Nights in when we walk in the dark, we should bring a flashlight with us, to illuminate our steps, and avoid the risk of stepping the small fragile animals who are moving in the floor...

During one of those nights, in January of 2013, i found one salamander (Fire Salamander - "Salamandra Salamandra"). I ran home to bring my camera and took a few photos during 10 minutes, without touching in the salamander. After this photo session, i left the animal in peace.
Almost a month later, in February of 2013, i saw again the same salamander in the same place, and i took a few more photos. I never saw her since then.

To avoid misunderstoods, i must warn the reader that the red blots in the cement floor (who appear in a few photos), are from paint used in several paint works, not blood or something else.

12/01/2013:












10/02/2013:




domingo, 5 de maio de 2013

A fotografar Rãs Comuns, mas cada vez menos comuns!

Num dia de Fevereiro de 2013, fui dar uma caminhada a pé, percorrendo a zona entre a Tocha e a Lagoa das Braças. Para além dos objectivos habituais de tirar umas fotos pelo caminho e fazer algum exercício, tinha também em mente observar quais os estragos que o grande temporal de 19 de Janeiro de 2013 tinha feito na zona das lagoas.

Dei uma vista de olhos num poço de rega de uma terra em pousio, localizado perto da Lagoa do Palhal (falei acerca desta (ex-)lagoa no penúltimo post (clicar para o ler)), onde tirei algumas fotos a alguns exemplares de rãs da espécie Rã-verde ou Rã-comum (Rana perezi ou Pelophylax perezi), a qual é a espécie de anfíbios mais numerosa em Portugal. Estes exemplares foram fáceis de observar e fotografar, pois estavam retidos num pequeno habitat fechado e o nível de água do poço estava quase ao nível do solo. Mas se os quisesse fotografar nos seus habitats naturais (tais como lagoas, charcos ou ribeiras), especialmente num grupo com vários indivíduos, tal não seria tão fácil.

Apesar de esta espécie de rãs ser bastante comum e numerosa (daí um dos nomes da espécie), noto que as suas populações têm diminuído bastante durante as últimas décadas, à semelhança do que tem acontecido com outras espécies de anfíbios. Em locais onde há 20-25 anos observava facilmente várias dezenas de indivíduos, hoje já se torna difícil encontrar alguns. Por vezes, só os sons que emitem (o seu conhecido coaxar), me indicam que ainda existem rãs a viver nesses locais.

Muitas são as causas que a ciência indica para esta grande diminuição das populações de anfíbios, como a poluição das águas dos locais onde habitam (causada por pesticidas, fertilizantes químicos e efluentes  domésticos ou industriais), ou as alterações climáticas.

Contudo, também existe vária documentação científica, disponível na Internet, que relaciona a diminuição das populações de anfíbios em Portugal com a invasão dos seus habitats por espécies invasoras predadoras, introduzidas pelo homem, sendo uma das principais o Lagostim-vermelho da Louisiana (Procambarus clarkii), que inclui na sua alimentação ovos, girinos e juvenis de anfíbios. O Lagostim-vermelho terá sido introduzido em Espanha nos anos 70 (na zona de Badajoz, em 1973), por particulares, com fins alimentares e comerciais. Aos poucos, esta espécie foi-se espalhando por toda a Península Ibérica, tendo-se tornado comum na Gândara nos princípios da década de 90.

Photographing frogs:

In one day of February of 2013, i went to a hike, during all day, walking through areas of "lagoons" (fresh water lakes), agricultural fields and forests, between the town of Tocha and "Lagoa das Braças" (a lake); to make some physical exercise, take pictures and see the damage caused in the area by the big storm of 19 january.

One of the places where I took pictures, was in a water well made to agricultural irrigation, located west of the village of Castanheiro (located in the Civil Parish of Bom Sucesso and Municipality of Figueira da Foz), where there were a few frogs (Perez's Frog, Rana perezi or Pelophylax perezi). In Portugal, this species is also known as Green Frog or Common Frog. Is also the most abundant species of amphibians.

Although this species is abundant, their numbers have fallen sharply over the past decades, as also happened to other species of amphibians. In places like lakes, ponds or streams, where i remember to see many frogs when i was young, two decades ago; nowadays is hard to find a few frogs.

The populations of amphibians are decreasing in many places of the world, because of common causes like water pollution, destruction of habitats and climate changes.

But in the particular case of the amphibians in Portugal  (there are scientific texts available in the Internet about it), one important cause is the introduction of "non-indigenous" invasive species, like the Red Swamp Crayfish (Procambarus clarkii). This species eats many things, including eggs, tadpoles and young individuals of amphibian species. It is believed that the Red Swamp Crayfish was introduced in the South of Spain in the 70's (by a few businessmen of the food industry). This species started to spreading to all the Iberian Peninsula in the following years. Around 1990-1992, it reached the lakes, ponds and streams of the Region of Gândara.








terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mini-sapos na Lagoa do Corgo Dentro:

Quando era jovem, cheguei a assistir algumas vezes a um curioso fenómeno natural, na Lagoa dos Teixoeiros (na Freguesia da Tocha), em que durante 2 ou 3 dias por ano, muitos milhares de jovens mini-sapos deixavam a lagoa onde tinham nascido e onde tinham passado algumas semanas a completar o seu processo de metamorfose, espalhando-se em grande número em direcção aos campos agrícolas e florestas circundantes. Durante cerca de 15 anos não voltei a presenciar esse fenómeno. Talvez por frequentar muito menos vezes a lagoa (sobretudo nos dias específicos em que ocorre o fenómeno)? Ou talvez porque esse fenómeno reprodutivo já não se verifique? Ou talvez ainda se verifique, mas a uma escala mais reduzida, o que o tornará menos visível?

Num dia de Maio de 2012, fui dar uma volta de BTT pelas Lagoas de Febres, tendo, com grande surpresa minha, voltado a presenciar este fenómeno, na pequena Lagoa do Corgo Dentro (também conhecida por Lagoa do Pedro), embora a uma escala menor. Algumas centenas de pequenos sapinhos, com aproximadamente 2 cm de comprimento, pulavam pelas margens da lagoa. Curiosamente, nas horas seguintes fui a 6 outras pequenas lagoas na zona (Lagoa dos Coadiçais, das Hortas, do Bunho, da Serredade, do Barracão e Lagoa da Torre), e não notei a presença destes pequenos sapos. Teria sido distracção minha ou será este um fenómeno particular desta lagoa?

O importante a reter da minha observação, é que demonstra o papel importante que as pequenas superfícies de água, como a Lagoa do Corgo Dentro, têm na preservação da biodiversidade (para saber mais sobre esta temática, aconselho uma visita a este site informativo, muito interessante: http://www.charcoscomvida.org/ (Clicar!)). 

A Lagoa do Corgo Dentro é uma pequena lagoa de água doce, com aproximadamente meio hectare de área, localizada na Freguesia de Febres e no Concelho de Cantanhede. Situa-se a aproximadamente 250 metros a sul da Lagoa dos Coadiçais (ou Lagoa dos Cedros), a qual é a maior e a mais conhecida das denominadas Lagoas de Febres.

Tiny toads in the "Lagoa do Corgo Dentro":

One day in May 2012, I went for a mountain bike ride, towards the "Lagoas de Febres" (a group a several small lakes / ponds, of fresh water), located in the Civil Parish of Febres and Municipality of Cantanhede.

My first stop, was in the "Lagoa do Corgo Dentro" (also known as "Lagoa do Pedro"), a pond with an area of approximately 1,2 acres (0,5 hectares). This pond is located some 300 yards south of "Lagoa dos Coadiçais" (aka "Lagoa dos Cedros"), who is the biggest and most known of the ponds in this area.

To my great surprise, in this place i witnessed a curious natural phenomenon, with several hundreds of tiny young toads (each one with approximately 2 centimeters long), jumping and walking around the pond. These young toads were leaving the water of the pond, where they were born and where they had spent a few weeks to complete their metamorphosis process, spreading towards their new habitats, in the surrounding fields and woods. One interesting aspect of this phenomenom, is that it only happens during 2 or 3 days per year.

When i was young, some 15-20 years ago, i also witnessed this natural phenomenon, a few times, in a lake some 8 times bigger than this (the "Lagoa dos Teixoeiros", located in the Civil Parish of Tocha), and in a bigger scale, with thousands of tiny toads involved. But i haven't watched this phenomenon since then, until that day, in May of 2012!

This observation demonstrates the important role of small lakes and ponds, as the "Lagoa do Corgo Dentro", to the preservation of biodiversity.
 

Localização / Location: